Temer e Dom Paulo: o golpe gerou um presidente morto vivo com medo de velórios. Por Kiko Nogueira

Pusilânime
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A provável ausência de Michel Temer no velório Dom Paulo Evaristo Arns não deveria surpreender ninguém.

Segundo o Estadão, auxiliares do presidente consideram que o “ambiente de esquerda pode gerar algum tipo de desconforto”.

Em nota, Michel disse que “Dom Paulo foi um defensor da liberdade e sempre teve como norte a construção de uma sociedade justa e igualitária”.

MT passa para a história não apenas como um golpista, um conspirador, mas como um ser humano desprezível.

Não apenas um líder de um esquema corrupto, mas um homem incapaz de qualquer gesto que não seja medíocre.

Temer é a banalidade da mesquinhez. Nesse quesito, é imbatível. Pense numa iniquidade que um sujeito relativamente com a cabeça no lugar não faria — Michel faz.

Ele convoca a imprensa para o dia em que vai buscar o filho na escola em Brasília. Ele mente sobre um jantar com Putin que nunca existiu.

E ele já havia passado por um vexame no funeral da Chapecoense, quando montou um bunker no aeroporto esperando que os familiares das vítimas fossem ali receber sua bênção.

O pai de um dos jogadores pediu-lhe “vergonha na cara”, inutilmente. Inventou que não podia falar que iria por razões de segurança. No estádio, foi recebido com silêncio.

A diferença entre Dom Paulo e ele é gigantesca. Dom Paulo será lembrado pelas próximas gerações, entre outras coisas, como uma referência de luta pelos valores democráticos e pela civilidade.

Temer também não será esquecido, mas pelos motivos opostos.

O fato de seu comparecimento ser discutido com assessores é sintomático de sua pusilanimidade. Trata-se de uma obrigação moral, não apenas de estado.

Ser apupado ou não, nessa hora, é absolutamente secundário. E posso estar errado, mas quem vai se preocupar em hostiliza-lo num enterro?

A morte nos iguala a todos, diz o provérbio latino. No universo paralelo de Michel Temer, alguns são mais iguais que outros. Cairá como um pulha e como tal será eternizado.

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Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.