“Temer lutou como louco para ser vice”: Katia Abreu cresceu no dia em que Moro sumiu. Por Kiko Nogueira

Kátia Abreu
Katia Abreu

 

A sessão de votação do relatório final da Comissão Especial do Impeachment foi o teatro que antecipou o show de marionetes que acontecerá no Senado.

O placar foi de 14 votos a 5 pela aprovação do relatório de 440 páginas de Antonio Anastasia, que o resumiu na frase de efeito idiota “Dilma cometeu um atentado à Constituição”.

A guerra está basicamente perdida, o golpe prossegue a galope, mas ainda sobram grandes momentos, eventualmente de onde menos se espera.

A senadora Katia Abreu já vinha dando sinais de coragem, coerência e caráter, e não me refiro ao vinho na cara de José Serra, o Careca do ABC.

Diante de seus colegas, Katia fez um discurso brioso, especialmente por ser do PMDB, e talvez tenha pintado o retrato definitivo do oportunismo de Michel Temer et caterva.

Enfática, como é de seu feitio, bateu sem dó nos golpistas.

Avisando que entrava com receio no tema da corrupção, atacou a hipocrisia com que o tema é tratado e a traição rasteira do interino.

“Se Temer achava que o governo estava muito ruim, podia ter recusado ser vice novamente. Mas não, ele continuou na chapa e foi eleito, até com a ajuda do meu voto”, disse.

“O presidente Temer, que é meu presidente também, lutou como um louco para ser vice de novo. Quem é aqui que pode falar de corrupção, de ética? Faça-me o favor!”

Depois: “Mensalão e Petrolão não são de um partido só. O sistema político está podre e a presidente é uma mulher honesta, digna. Já nos partidos políticos, é difícil salvar um”.

Cunha, para ela, “preferiu ver o país aos cacos, desde que os cacos ficassem em seu poder.”

A contundência foi oposta ao que se viu naquele mesmo dia na pessoa de Sérgio Moro. O juiz da Lava Jato estava na Câmara para falar do pacote contra corruptos enviado pelo Ministério Público.

Ao final, foi confrontado pelo deputado Paulo Pimenta, do PT. Pimenta criticou a seletividade da Justiça, mencionou “abuso de autoridade”, levantou a questão dos grampos de Lula e Dilma.

“Quando se fala da legislação americana, imagina se juiz captasse de maneira ilegal uma conversa de um Bill Clinton e jogasse na TV”, questionou.

“A seletividade permite que funcionários que trabalham para impedir que nós possamos cassar Eduardo Cunha venham até uma comissão como esta falar sobre corrupção e defender endurecimento de pena para ‘vagabundos'”.

Moro, desconfortável, sumiu: “Não vou comentar casos concretos. Infelizmente, meu tempo acabou. Vou pedir escusas aos senhores parlamentares e às senhoras parlamentares”.

Tá escusado.

 


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