Temer poderá ser o mais “decorativo” dos presidentes. Por Carlos Fernandes

Provável marionete
Provável marionete

Como absolutamente em tudo que envolve o golpe, a marca da ilegitimidade de um governo Temer tende a fazer dele uma marionete conduzida justamente pelo que há de pior nos interesses políticos e econômicos do país.

Um governo que já nasce com o seu mais poderoso aliado, Eduardo Cunha, defenestrado da Câmara e com um igual pedido de cassação tramitando na casa, terá que fazer das concessões o seu alimento diário.

Se o programa intitulado “Ponte para o futuro” já é uma celebração ao retrocesso, os interesses particulares da quadrilha de deputados e senadores que lhes dará sustentação são ainda mais desastrosos.

Junte-se a tudo isso o mais completo descrédito perante toda a população – cuja única concordância é exatamente sobre a sua incompetência – e teremos uma verdadeira nulidade à frente da nação.

Uma vez consumado o golpe, não será Temer efetivamente a sentar na cadeira do mais alto cargo da República. Apesar de ser a sua figura ignóbil a se apresentar para as lentes da grande mídia condescendente, os verdadeiros administradores do país serão outros.

Somente um completo imbecil pode acreditar que tudo isso que está acontecendo no Brasil não acoberta um intrincado jogo de poder que passa invariavelmente pela ganância de dinheiro.

O investimento financeiro num projeto como um impeachment de uma presidente democraticamente eleita é altíssimo e de grande risco. Ainda mais para que seja colocado em seu lugar um político que não ultrapassa miseráveis 1% das intenções de voto.

Para que Temer satisfaça o seu ego galopante colocando a faixa presidencial, será preciso que abdique de qualquer participação nas principais decisões que influenciarão no futuro do país.

O capital internacional, grandes empresários, a imprensa tradicional e fundamentalistas religiosos serão os verdadeiros comandantes dessa pátria que preferiu a ilegalidade em detrimento da democracia.

Se o golpe passar, Michel Temer entrará para a história como o mais “decorativo” dos presidentes enquanto os reais “donos” do Brasil cobrarão a conta. E alguém, mais cedo ou mais tarde, terá que pagar.

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