Temos Talibã que adora os EUA, tão perigoso como o do Afeganistão. Por Afrânio Silva Jardim

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Mike Pompeo e Bolsonaro

Por Afrânio Silva Jardim

Julgo podermos encontrar muitas semelhanças entre o atual governo do Brasil e os credos e práticas do grupo minoritário chamado de Talibã, que busca retroceder o Afeganistão à Idade Média.

Como lá, aqui a ignorância e a desconstrução da história passaram a ser coisas do nosso cotidiano.

Assim, o ensino fundamental em ambiente domiciliar, além de absolutamente ineficiente, busca retirar as crianças das escolas e evitar a sua socialização. Busca-se uma doutrinação religiosa, pois as Igrejas serão o “lar” destas famílias “piedosas”… (Atenção: não me refiro a esta situação peculiar e provisória, decorrente da Covid-19).

O ataque às universidades públicas, com corte de 30% ou mais em seus minguados orçamentos, pode ser uma outra semelhança com aquele projeto obscuro do Afeganistão, hoje na clandestinidade.

O fundamentalismo religioso e o nacionalismo fanático seriam outras coincidências??? E o “uso da pólvora quando acaba a saliva” teria alguma relação com as práticas violentas do nefasto Talibã???

Na verdade, em qualquer fundamentalismo religioso, o conhecimento e o saber são tidos como absolutamente subversivos. Ciências humanas e filosofia só servem para atrapalhar… (sic)

Nos dias de hoje, se valoriza a ignorância e o misticismo. Negar o conhecimento científico é socialmente elogiável. Estamos vivendo em uma sociedade obscura, preconceituosa e de pessoas infantilizadas.

Certamente, são especiais coincidências: a desvalorização social da mulher, a repugnância a qualquer referência a sexo, a discriminação dos estrangeiros, dos homossexuais, dos adeptos das religiões de origem africana, bem como a discriminação das demais minorias étnicas e sociais. O preconceito expulsa o raciocínio lógico e dialético.

Questionar também é subversivo para os autoritários. Para eles, todos são “comunistas”… A consciência crítica atrapalha o seu projeto de dominação retrógrado.

Lamentavelmente, um aspecto negativo que distingue o “nosso Talibã” do originário é que o nosso adora o “Império Norte Americano” e se coloca, espontaneamente, subserviente a ele e a todos os seus interesses.

Outra diferença: ao que me consta, os Talibãs de lá não cultivam tantos “laranjais” como o nosso. Os nossos “homens de bem”, de bem, não têm nada…

É tudo uma farsa, pois são falsos moralistas, que se utilizam de estratégias que foram muito úteis ao fascismo no passado.

Incrível como aqueles de pensamento liberal, no sentido econômico e político, não perceberam o perigo que estamos passando e ajudam estes embusteiros e fundamentalistas a destroçar o valores democráticos, forjados pelo nosso difícil, doloroso e inacabado processo civilizatório.

Democracia ou barbárie!

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