“Tentação do diabo”: a indireta de Mendonça para ministros do STF em igreja

Atualizado em 23 de fevereiro de 2026 às 16:20
André Mendonça pregando na Igreja Presbiteriana de Pinheiros em 2025

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que também é pastor, fez uma pregação sobre poder político e comparou o desvio em funções públicas a “se curvar ao diabo”. A declaração, interpretada como uma indireta aos seus colegas da Corte, foi dada durante um culto da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), onde Mendonça atua como pastor substituto.

“O poder político institucional é uma benção de Deus. Mas quando nossos corações se colocam não seguindo os princípios dos valores de Deus para agir pelo bem do povo, nós estamos nos curvando à tentação do diabo”, disse o magistrado. Veja:

 

Relator do caso Master no STF após a saída de Dias Toffoli, que foi citado em relatórios da Polícia Federal por relação com investigados, o magistrado se tornou pastor substituto da IPP em março de 2025 e tem usado o local para falar indiretamente de seu trabalho na Corte e se manifestar sobre temas políticos.

No ano passado, por exemplo, ele deu um recado a bolsonaristas que pediam para que tivesse um posicionamento mais firme na defesa de Jair Bolsonaro. Sem citar o ex-presidente ou seus apoiadores, ele disse que prefere agir de forma “sábia”.

“Releia Salmo 1. Busque ali a sabedoria. O texto diz que o homem que pratica é prudente e sábio. O homem que não pratica é insensato e louco. Tem gente que quer que a gente aja com loucura. Muitas vezes eu sou cobrado dessa forma. Tem que agir de forma, na minha palavra, intempestiva, como agem os outros. Eu não”, afirmou na ocasião.

No mesmo culto, ele comparou “pregar a palavra de Deus” aos julgamentos na Corte, dizendo que o primeiro é mais difícil. “Maior do que julgar um processo, maior do que decidir uma causa, é um privilégio e uma responsabilidade”, apontou.

Mendonça foi indicado para a Corte em 2021 por Bolsonaro, então presidente, que na época dizia que nomearia alguém “terrivelmente evangélico” para o tribunal após a saída de Marco Aurélio Mello. Ele também indicou, no ano anterior, Kassio Nunes Marques.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.