Terror no ar: o dia em que os EUA explodiram um avião do Irã com 290 pessoas (66 crianças). Por Kiko Nogueira

Um episódio infame, lembrado pelo presidente do Irã no Twitter em sua resposta ao estúpido Donald Trump, ajuda a entender a tensão entre iranianos e americanos.

Após a ameaça de Trump de destruir 52 alvos dos inimigos, Hassan Rouhani escreveu sobre a necessidade de se “lembrar do número 290. Nunca ameace a nação iraniana”.

Terminou com a hashtag #IR655 — número do vôo numa tragédia causada pelos EUA.

Na manhã de 3 de julho de 1988, um navio de guerra chamado USS Vincennes disparou dois mísseis contra um Airbus A300 da Iran Air, eliminando as 290 pessoas a bordo, entre elas 66 crianças.

Havia ali cidadãos de Índia e Itália, entre outros países.

O destino era Dubai, a um hora de distância, e a aeronave explodiu sobre o estreito de Ormuz.

O capitão William C. Rogers declarou ter achado que era um caça iraniano do tipo F-14 Tomcat prestes a atacar.

As supostas tentativas de contato ocorreram na frequência militar, inexistente no Airbus, e no modo emergencial civil, em que as mensagens não têm destinatário certo.

Os relatos de oficiais americanos de que o avião estava em posição de confronto — voltado para baixo — foram desmentidos.

O Irã classificou o incidente de “ato bárbaro” e “atrocidade”.

Apenas em 1996 a Corte Internacional de Justiça obrigou o governo americano a indenizar as famílias em cerca de 300 mil dólares por vítima.

Os Estados Unidos, porém, nunca assumiram a responsabilidade. Estão, sempre estiveram, acima disso.

Os assassinos foram premiados. Rogers ganhou a prestigiosa medalha da Legião do Mérito e saiu de cena como herói nacional.

O então vice-presidente George Bush (o pai) falou o seguinte na ocasião: “Eu nunca pedirei desculpas pelos EUA. Nunca. Não ligo para os fatos”.

É esta a nação que o capacho Jair Bolsonaro está seguindo numa guerra como o sabujo que é, o nariz enfiado nas partes íntimas e sangrentas de seu dono.

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