Texas processa Netflix por suspeita de espionagem de menores e uso de recursos “viciantes”

Atualizado em 12 de maio de 2026 às 22:02
Ken Paxton: o político do Texas está processando a Netflix. Reprodução

O estado do Texas, nos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial contra a Netflix na segunda-feira (11), acusando a plataforma de coletar dados pessoais de usuários, incluindo crianças, sem consentimento adequado. O processo foi apresentado pelo procurador-geral Ken Paxton e mira práticas de privacidade, publicidade e desenho da plataforma.

Segundo a Procuradoria do Texas, a Netflix teria se apresentado por anos como uma empresa que não coletava nem compartilhava grandes volumes de dados dos assinantes. A ação afirma que, na prática, a plataforma registrava hábitos de visualização, preferências, dispositivos usados, redes domésticas, uso do aplicativo e outros dados comportamentais.

O processo também acusa a empresa de compartilhar essas informações com intermediários de dados e empresas de tecnologia publicitária. Para o Texas, os dados dos usuários teriam sido usados para formar perfis comerciais detalhados, inclusive a partir de contas adultas e perfis infantis.

A ação ainda sustenta que a Netflix teria projetado recursos capazes de prolongar o tempo de uso da plataforma. Um dos exemplos citados é a reprodução automática, que inicia um novo conteúdo assim que o anterior termina. Segundo a acusação, o mecanismo cria um fluxo contínuo para manter usuários, incluindo crianças, assistindo por mais tempo.

Ken Paxton pede que a Justiça obrigue a Netflix a interromper a coleta e a divulgação consideradas ilegais, desative o autoplay por padrão em perfis infantis e aplique sanções civis. A ação se baseia na lei texana de práticas comerciais enganosas e prevê multa de até US$ 10 mil por infração.

A Netflix negou as acusações. Em resposta publicada pelo Guardian, a empresa afirmou que o processo “não tem mérito” e se baseia em informações “imprecisas e distorcidas”. A plataforma disse cumprir leis de privacidade e proteção de dados nos países em que opera e afirmou que vai responder às alegações no tribunal.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.