
A jornalista Thaís Oyama fez fama na Veja e agora passa vergonha no Globo, onde foi acolhida como colunista.
Mais uma vez virou alvo de piadas nas redes após publicar, no sábado (7), um artigo intitulado “O identitarismo perdeu a eleição”. A repercussão ganhou força porque, na página ao lado, a colunista Flávia Oliveira publicou um texto com a manchete “A diversidade venceu”.
As duas analisaram as vitórias da esquerda no Brasil e dos democratas nos Estados Unidos, mas apresentaram interpretações diferentes sobre os resultados.
Oyama argumenta que a mobilização de mulheres, negros, latinos, indígenas e outros grupos não explica, por si só, as vitórias eleitorais. Para ela, o peso das questões econômicas foi maior do que o das pautas identitárias. Cita a eleição de Gina Hinojosa, primeira governadora latina do Texas, destacando suas propostas econômicas, entre elas a distribuição de cheques de US$ 1.500 às famílias.
Flávia Oliveira, por sua vez, associa os resultados à participação de diferentes segmentos da sociedade.
A colunista destaca o aumento do comparecimento eleitoral no segundo turno brasileiro, com quase três milhões de eleitores adicionais, e a mobilização que levou os democratas a conquistar vitórias nos Estados Unidos. Seu artigo recupera a participação popular na elaboração da Constituição de 1988 e relaciona diversidade social, representação política e democracia.
A contradição que provocou as ironias está no fato de Oyama anunciar a derrota do identitarismo justamente em eleições marcadas pela vitória de candidatos de grupos historicamente sub-representados. Enquanto Flávia destaca a participação desses segmentos, Thaís procura afastar o resultado eleitoral das pautas identitárias.
@dbelemlopes A Yoko Ono do Mal sempre aloprando
— Ildefonso (@ilde_fonso9) November 8, 2026
O ponto mais criticável da argumentação de Oyama é a separação entre demandas econômicas e questões de identidade. Uma candidata negra, indígena ou latina pode vencer defendendo propostas de emprego, renda e saúde sem que sua identidade deixe de ter importância política. A defesa de direitos sociais e a representação de grupos minoritários não são necessariamente agendas concorrentes.
@dbelemlopes Vi a discussão ao vivo. A Flávia é brilho puro. Segura, argumentativa. A Oyama nunca me desceu. Faz tempo. Para além da expressão facial estranha, “má”.
— Selma Barcellos (@selmabarcellos) November 8, 2026
A fotografia das duas páginas de O Globo, com as manchetes opostas, tornou a divergência especialmente visível. O contraste permitiu que leitores ironizassem a conclusão de Oyama a partir do próprio conteúdo publicado pelo jornal. Entretanto, o fato de candidatos de grupos minoritários terem vencido não comprova, isoladamente, que o discurso identitário tenha sido decisivo para suas eleições.
@dbelemlopes O mais surpreendente é que o identitarismo aparece de modo secundário no texto de Thais só para justificar alguns ataques bobos à esquerda.
— Ramiro Queiroz Silveira (@RamiroQSilveira) November 8, 2026
Assim, o motivo central das ironias contra Thaís Oyama é a distância entre a conclusão categórica de sua manchete e a diversidade dos candidatos e eleitores que participaram das vitórias analisadas. O artigo de Flávia Oliveira, publicado na página ao lado, tornou essa diferença ainda mais evidente.