Ao responder a Macron, Bolsonaro joga gasolina na fogueira. Por Fernando Brito

Jair Bolsonaro discursa em evento na sede da Firjan, no Rio | Mauro Pimentel/AFP

Publicado originalmente no Tijolaço:

Jair Bolsonaro é mesmo uma besta.

Em lugar de falar dos esforços brasileiros para deter as queimadas e da falta de cooperação internacional para dotar a Amazônia de instrumentos para controlar as tentativas de devastação, disse que o presidente da França, ao protestar contra os danos ambientais, está tentando “instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais”.

Se tivesse uma reação discreta, talvez conseguisse dar ao tema Amazônia uma abordagem suave na reunião do G-7 que começa sábado, reabrindo os espaços de cooperação internacional que fechou quando mandou a Alemanha pegar o dinheiro do Fundo Amazônia e ir reflorestar seu território.

Agora, até mesmo pela necessidade política que sugere, obrigará os governantes europeus a uma reação aguda contra o Brasil.

Até mesmo na “Guerra da Lagosta”, em 1962, quando tivemos uma baita encrenca diplomática com barcos franceses vinham pescar o crustáceo no litoral de Pernambuco tínhamos argumentos.

Agora, nem isso. Agora é a guerra do camarão, pelo menos como na velha piada: tem casca grossa, merda na cabeça e vivem nas costas do Brasil.

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