TJ-SP volta a bloquear imóveis de família dona da Marabraz em disputa por patrimônio

Atualizado em 26 de agosto de 2026 às 23:50
Interior de loja da Marabraz com móveis e eletrodomésticos
Corredores de unidade da Marabraz com sofás, mesas, cadeiras e eletrodomésticos. Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) voltou a bloquear provisoriamente as quotas e os imóveis da LP Administradora de Bens, empresa que concentra parte do patrimônio da família Fares, dona da Marabraz. A medida atinge um conjunto de centenas de imóveis e integra a disputa entre gerações da família pelo controle da companhia. Com informações de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

O desembargador Roberto Nussinkis Mac Cracken, presidente da Seção de Direito Privado do TJ-SP, tomou a decisão na terça-feira (25). Ele também admitiu o recurso especial apresentado por Nasser e Jamel Fares, atuais controladores da varejista, para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) examine o caso.

Nasser e Jamel são filhos de Abdul Hamid Fares, fundador da Marabraz, e disputam a administração da LP com filhos e sobrinhos. O recurso questiona a transferência de quotas da empresa aos netos do fundador.

Em primeira instância, a Justiça considerou simulada a operação de transferência, ao concluir que as quotas mudaram de mãos sem pagamento efetivo. Em setembro de 2025, porém, o TJ-SP reformou esse entendimento por avaliar que não havia prova de fraude.

Os irmãos Fares (da esq. para dir.): Jamel, Nasser, Fábio Bahjet e Adiel (Foto: Arquivo pessoal

Pedido de afastamento da gestão foi rejeitado

Ao recorrer ao STJ, Nasser e Jamel pediram que o Judiciário mantivesse bloqueadas as quotas e todos os imóveis da LP até o julgamento definitivo. Eles também solicitaram o afastamento de Abdul e Nader Fares da administração e a nomeação de um administrador judicial.

Os dois alegaram que a transferência de participação aos filhos buscou blindar o patrimônio familiar diante de credores da Marabraz. Mac Cracken concedeu parcialmente o efeito suspensivo: restabeleceu a indisponibilidade dos bens e das quotas, mas recusou intervir na gestão da empresa.

A defesa de Abdul Fares contestou a necessidade das medidas e afirmou não haver risco atual de esvaziamento patrimonial. A argumentação citou análise da BDO Auditores Independentes que apontou redução de R$ 115 milhões no endividamento da LP em 2024 e quitação de mais de R$ 70 milhões em empréstimos bancários.

A mesma análise mencionada pela defesa indicou crescimento superior a 123% nas receitas de locação entre 2019 e 2024. Os advogados também sustentaram que o patrimônio da LP Administradora não pode ser confundido com os ativos da Marabraz.

A disputa judicial corre enquanto a Marabraz busca recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas. A varejista atribuiu a crise a juros altos, endividamento, queda do consumo e conflitos societários e familiares que dificultaram o acesso a crédito.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior