Toda a velha direita depende do chefão presidiário; Por Moisés Mendes

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 12:25
Jair Bolsonaro – 30/07/2021 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Toda a velha direita depende do chefão presidiário.

Damares briga com Malafaia, que briga com Flávio, que briga com Tarcísio, que briga com Eduardo, que briga com todo mundo. É preciso mais do que um ringue para todas as desavenças da extrema direita.

Mas mesmo assim o bolsonarismo é o que ainda sustenta a perspectiva eleitoral de toda a direita. As figuras em conflito do bolsonarismo conseguem brigar entre si, sem que isso desestruture a direita toda.

Os conflitos são incapazes de tirar do bolsonarismo o protagonismo eleitoral dentro da direita. Porque não há, fora dessa turma, alternativas eleitorais viáveis, considerando-se a velha direita que se move em torno dos interesses de Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e Gilberto Kassab.

Nenhum deles, donos da direita pré-Bolsonaro, sobreviveria uma semana sem o bolsonarismo. Mesmo que o bolsonarismo esteja em guerra. São deles, dos herdeiros de Bolsonaro, as melhores opções da direita para a eleição.

Flávio, Tarcísio e Michelle têm o que Zema, Caiado, Ratinho, Leite e outros menos votados não têm. A direita antiga não tem eleitores suficientes para se habilitar a enfrentar Lula. Quem tem é o bolsonarismo.

O senador Flávio Bolsonaro

O bombardeio contra Flávio, liderado por Malafaia e Michelle, e os vacilos de Tarcísio são insuficientes para enfraquecer a direita. O direitista antigo, que passou suas convicções aos filhos e netos, da velha Arena ao PSDB, espera agora por Flávio ou por Tarcísio e, se for preciso, por Michelle.

Em outras épocas, quando a velha direita era recatada, esse centro-direitista se esforçaria para fortalecer Simone Tebet, Romeu Zema, Ratinho e até Eduardo Leite. Mas não agora. Agora, não dá mais para brincar. Para vencer Lula, que seja qualquer um que possa enfrentá-lo.

A velha direita tapa o nariz e vai de Flávio ou Tarcísio, como mostram as pesquisas. Flávio é o que arranca melhor, no primeiro turno das amostragens de Genial/Quaest e Atlas.

O filho sai na frente, bem melhor do que Tarcísio, porque ele é o ungido pelo pai e o mais conectado com o bolsonarismo. Mas o governador consegue alcançá-lo no segundo turno, nos cenários em que Lula enfrenta cada um deles.

Na pesquisa Atlas, Flávio e Tarcísio conseguem 45% contra 49% de Lula. Na Genial/Quaest de 14 de janeiro, Lula ficou com 45% contra Flávio, que obtém 38%, e com 44% contra Tarcísio, com 39%.

Zema, Caiado e Ratinho inexistem no momento como nomes capazes de fazer frente a Lula. Consagrou-se, mesmo que a eleição esteja longe, que só alguém da copa e da cozinha do bolsonarismo pode se meter com Lula.

Tarcísio é o CEO vacilão e Flávio tem uma das maiores fichas corridas da direita, por todo tipo de crime. Mas são eles, Michelle e mais ninguém. Nada abala a extrema direita como alicerce da direita. Não há antilulismo sem o suporte do bolsonarismo.

Tentaram mas não conseguiram se livrar de Bolsonaro para seguir em frente sem o fardo. O preso exerce mais influência para a montagem do cenário de enfrentamento de Lula do que todos os líderes da direita juntos.

Toda a velha direita depende hoje da unção de um presidiário adoentado, sem condições mentais para desmontar uma tornozeleira e que tropeça no tapete ao sair da cama para tomar um copo d’água.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/