Toffoli, Alcolumbre e Maia têm seis dias. Por Moisés Mendes

Dias Toffoli, Maia, Alcolumbre e Bolsonaro. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente no blog do autor

Esta semana é decisiva para que os comandantes do Supremo, do Senado e da Câmara digam se têm suportes político e institucional suficientes para enfrentar Bolsonaro. O protesto que mexe com a autoridade de todos eles está marcado para domingo. São seis dias para firmar posição.

Dias Toffoli, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia têm seis dias para deixar claro se temem os desdobramentos de uma reação ou se poderão enfrentar, com posições transparentes, o acinte de Bolsonaro de convocar sua turma para pedir o fechamento do Congresso e do Supremo.

Tem gente dizendo, como se falasse em nome dos três, que Bolsonaro não faz referência direita a STF, Senado e Câmara. De fato, quando pede que o povo vá às ruas, ele não cita nada e ninguém.

Isso foi o que disse Bolsonaro na última manifestação sobre o protesto de domingo:

“É um movimento espontâneo, e o político que tem medo de movimento de rua não serve para ser político. Então participem, não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário. É um movimento pró-Brasil”.

Bolsonaro pede que saiam às ruas com faixas e cartazes pró-Brasil. Os que saíram antes nunca exaltaram Bolsonaro, mas Sergio Moro. Agora, acredite, o exaltado será o país.

O mais desinformado dos brasileiros sabe que a convocação é para afrontar Congresso e Supremo. Bolsonaro se movimenta com desenvoltura porque, desde a convocação de Augusto Heleno, com o apelo do foda-se, sentiu que era possível avançar sem muitos riscos.

Nem Toffoli, nem Alcolumbre e muito menos Rodrigo Maia deram sinais de que poderiam mandar um recado mais claro a Bolsonaro, além do inconsequente e repetido pedido de calma.

Mas agora não há mais tempo. São seis dias para produzir pelo menos uma frase que se encaixe nas circunstâncias. Nada que repita o que já disseram, que as instituições devem ser valorizadas. Que é preciso respeitar a independência de cada poder, que não comentam convocações para protestos e que o Brasil quer harmonia, diálogo e paz.

O que eles deveriam dizer, em jogral, é que a democracia não aceita que um presidente incite o povo contra o Congresso e o Judiciário. Mas dizer de forma direta, sem os floreios que a maioria não entende direito.

Toffoli, Alcolumbre e Maia precisam falar como Bolsonaro fala, para que sejam entendidos por todos.

Faltam seis dias. Contando-se apenas os dias úteis, são cinco. Algo terá de ser dito além das conversas circulares e evasivas. Maia é até agora o mais explícito e corajoso de todos.

Os outros estão pensando no que dizer ou talvez já tenham desistido, depois de soltarem frases pretensamente conciliatórias. Pode ser que, antes que digam qualquer coisa mais incisiva, Bolsonaro volte a fomentar o protesto da extrema direita.

E aí pode ser tarde para oferecer uma reposta e consertar os estragos de tanto silêncio.

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