
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, confirmou que foi sócio da Maridt, empresa ligada ao grupo Tayayá e proprietária de um resort no Paraná. Em nota, informou que deixou a sociedade em 2021, após vender suas cotas ao fundo Arllen, apontado como ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, citado em investigações sobre o Banco Master.
Toffoli negou relação de amizade com Vorcaro e declarou que “jamais recebeu qualquer valor” do empresário ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. Segundo o ministro, a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, com registros não acessíveis ao público, o que explicaria a ausência de seu nome em documentos disponíveis.
O ministro afirmou ainda que sua participação respeitou a Lei Orgânica da Magistratura, que permite a magistrados integrar empresas sem atuar na gestão. De acordo com a nota, a administração da Maridt ficava a cargo de seus irmãos.
Relatório da Polícia Federal (PF) mencionou conversas entre Vorcaro e Zettel com referências a pagamentos destinados à Maridt, empresa da qual Toffoli recebia dividendos à época. O ministro disse desconhecer o gestor do fundo Arllen e reiterou não ter vínculo pessoal com Vorcaro.

A PF solicitou a suspeição de Toffoli na relatoria do caso Banco Master. O pedido está sob análise dos ministros do STF.
Toffoli informou que a saída do grupo Tayayá ocorreu em duas etapas: em 2021, com a venda ao fundo Arllen, e em 2025, quando o saldo remanescente foi transferido à PHD Holding. Segundo ele, as operações foram realizadas a valores de mercado e declaradas à Receita Federal.
O ministro também declarou que, quando o processo envolvendo o Banco Master foi distribuído ao seu gabinete, já não mantinha participação em empresas ligadas ao grupo.
As investigações seguem em curso. O STF deverá deliberar sobre o pedido de suspeição apresentado pela Polícia Federal.
Leia, abaixo, a íntegra da nota de Toffoli:
“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.
Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.
De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.
Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição. A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025.
Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.”