Toffoli devolve os fogos a Bolsonaro. Por Moisés Mendes

O presidente eleito Jair Bolsonaro e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli. (Foto: EVARISTO SA / AFP) ORG XMIT: ESA1098)

Publicado originalmente no blog do autor

Por Moisés Mendes

O presidente do Supremo, Dias Toffoli, divulgou nota no começo da noite de domingo sobre os ataques de ontem, quando cerca de 30 manifestantes bolsonaristas, do grupo “300 do Brasil”, dispararam fogos de artifício na direção do prédio do STF.

Um trecho da nota é acusador, ao afirmar que atitudes como essa, dos liderados por Sara Winter, “têm sido reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado”.

É um ataque direto a Bolsonaro, que Toffoli já identificou como um governante de atitudes dúbias, diante dos conflitos que desafiam a democracia.

Esta pode ser mais uma semana de tensão entre o Supremo e o bolsonarismo, depois da nota de sexta-feira em que Bolsonaro e os militares fazem ameaças ao STF e o TSE.

Esta é a íntegra da nota de Dias Toffoli:

“Infelizmente, na noite de sábado, o Brasil vivenciou mais um ataque ao Supremo Tribunal Federal, que também simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas.

Financiadas ilegalmente, essas atitudes têm sido reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado, apesar da tentativa de diálogo que o Supremo Tribunal Federal tenta estabelecer com todos, Poderes, instituições e sociedade civil, em prol do progresso da nação brasileira.

O Supremo jamais se sujeitará, como não se sujeitou em toda a sua história, a nenhum tipo de ameaça, seja velada, indireta ou direta e continuará cumprindo a sua missão.

Guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal repudia tais condutas e se socorrerá de todos os remédios, constitucional e legalmente postos, para sua defesa, de seus Ministros e da democracia brasileira”.

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ADIÓS, WEINTRAUB
Os filhos de Bolsonaro seguraram Abraham Weintraub na semana passada, quando os militares já haviam decidido que não iriam mais compartilhar o mesmo espaço com o ministro analfabeto.

Hoje, o sujeito voltou a chamar os ministros do Supremo de vagabundos.

Pode bailar e, se for abandonado, talvez vire delator. Como também pode, se for bem protegido pelos garotos, virar miliciano.

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MANIFESTOS TUCANOS
Depois que o PSDB declarou apoio público a Bolsonaro, diante da ameaça de impeachment, o que pensam os que assinaram os manifestos de frente ampla e irrestrita ao lado dos tucanos?

Quem achou que os tucanos haviam deixado de ser aliados da direita?
O que pensam os avalistas de manifestos liberais agora que os tucanos estão acumpliciados com a extrema direita?

Quem vai seguir em frente de braços dados com Fernando Henrique e Luciano Huck, tendo ao lado os milicianos de Bolsonaro?

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GOLPISTAS ‘ESQUERDISTAS’
Se lêssemos alguns textos sem os nomes dos autores, estaríamos concordando sem saber com Deltan Dallagnol, Luciano Huck, Miriam Leitão, Sergio Moro, Merval Pereira.

Alguns textos de golpistas que viraram antibolsonaristas são exageradamente esquerdistas.

Daqui a pouco teremos Carluxo escrevendo contra o golpe.

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ELES QUEREM CADEIA
Todos os que afrontam ministros do Supremo, de Weintraub a Sara Winter, disputam a primazia de um fato que pode consagrá-los e transformá-los em campões de voto nas próximas eleições.

Todos querem ser presos. Porque serão recolhidos a uma cadeia por um dia, pagarão fiança e estarão em liberdade para desfrutar da fama de perseguidos.

Mas o que eles desejam mesmo é uma prisão espalhafatosa, como as de antigamente, quando a Lava-Jato de Sergio Moro mandava algemar seus prisioneiros.

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SEMPRE MUDANDO
O colunista Lauro Jardim, de Veja, informa que Weintraub já pediu duas vezes auxílio-mudança, no total de R$ 51 mil.

O homem vive se mudança. E, depois do que voltou a dizer hoje, pode se mudar mais uma vez.

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