Toffoli permite que Bolsonaro se sinta à vontade para marchar sobre o STF e a democracia. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 7 de maio de 2020 às 15:58
Toffoli recebe Bolsonaro após o presidente marchar sobre o STF

Se o presidente do STF tivesse apreço pelas instituições, a começar por aquela em que atua, teria mandado Bolsonaro e sua entourage dar meia volta-volver.

Ao invés disso, recebeu o presidente, o ministro da Economia Paulo Guedes, outros membros do governo e empresários de braços abertos, submetendo-se a um espetáculo grotesco.

Eles foram pedir a abertura da economia e a “volta à normalidade”, fazendo pressão, como se estivessem entrando na casinha do cachorro sem pedir licença.

Há inúmeros instrumentos jurídicos para que essa relação seja saudável e republicana. Bolsonaro não precisou de soldado e cabo para entrar na corte.

Faltou mijar no vaso que fica no lobby. Ainda filmou tudo sem pedir autorização.

A palhaçada foi transmitida nas redes sociais do sujeito. Carluxo ria por trás.

Ao dialogar com o bando desta maneira, Toffoli abre um precedente perigoso: vai ser sempre assim?

Bolsonaro vai acordar amanhã sem nada para fazer e resolver dar uma colada no Supremo?

Toffoli respondeu que o Executivo deveria criar um gabinete de crise e se reunir com Estados e Municípios para agir de forma coordenada.

Ok.

Mas teve a coragem de falar que “o país conduziu muito bem essa situação [do coronavírus], apesar do que sai na imprensa”.

Guedes foi protestar contra a decisão do Congresso de livrar várias categorias de servidores do congelamento dos salários, coisa que deveria tratar com o chefe e seus deputados.

“Alguns dizem que ‘a economia deixa pra lá, o importante é a vida’. Não é assim não”, afirmou Bolsonaro. 

Não, não é assim. O fundamental é manter o CNPJ vivo.

Essa aberração precisa terminar. Mas, enquanto tivermos homens como Toffoli, a desgraça vai longe.