
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do processo relacionado ao Banco Master, que passou a ser conduzido por André Mendonça. A mudança ocorreu após a Polícia Federal apontar a existência de diálogos entre Toffoli e Daniel Vorcaro, obtidos durante a análise do celular do banqueiro.
Antes desse episódio, os dois ministros protagonizaram um embate verbal em sessão da Segunda Turma do STF. A discussão ocorreu em novembro de 2025, durante o julgamento de outro processo, envolvendo indenização a um juiz por declarações feitas por um procurador do Ministério Público Federal.
O confronto teve início após divergências sobre a interpretação de um voto relatado por Toffoli. Mendonça leu trecho da decisão e apresentou entendimento distinto, o que levou à reação do então relator.
Veja como foi a discussão:
Mendonça: “Eu respeito a posição de vossa excelência”
Toffoli: “Eu respeito, mas vossa excelência está deturpando meu voto, com a devida vênia”
Mendonça: “Não, não estou. Não estou”
Toffoli: “Vossa excelência está deturpando o voto, porque o voto é meu mesmo”
Mendonça: “O voto foi da turma, né?”
Toffoli: “Eu fui o relator”
Mendonça: “Foi, foi o relator. E eu estou lendo”
Toffoli: “Vossa excelência está colocando palavras no meu voto que não existiram. Com a devida venia, isso não é correto”
Mendonça: “Com efeito, é certo que, para se dissentir da conclusão do STJ – eu estou lendo [o voto] -, no sentido do cumprimento dos requisitos previstos no CPC, bem como no interesse de intervenção do Ministério Público no processo, seria necessário o reexame do conjunto fático probatório dos autos, assim como da legislação infraconstitucional. É isso que eu estou lendo no voto. A questão retorna ao Supremo, digo eu agora, por meio dessa reclamação ajuizada pelo MP, onde se alega que o TRF 2 afrontou o acórdão do Supremo. Agora, eu estou analisando e fazendo a minha interpretação da questão. Agora, eu estou fazendo a interpretação da questão. Como bem disse o doutor Luiz Augusto…”
Toffoli: “Vossa excelência interpreta o meu voto e eu interpreto o seu”
Mendonça: “Pode interpretar”
Toffoli: “E já disse o que eu acho”
Mendonça: “Vossa excelência está um pouco exaltado por causa desse caso. Sem necessidade. Sem necessidade. Com todo o respeito”
Toffoli: “Eu fico exaltado com covardia”
Mendonça: “Desculpa, ministro Dias Toffoli. Eu encerro aqui, senhor presidente. Eu acompanho a divergência do ministro Edson Fachin”.