Tomba o primeiro chefe de facção da extrema-direita. Por Moisés Mendes

Witzel comemora morte de sequestrador de ônibus

Está quase morto, a caminho do impeachment, o sujeito capaz de descer de um helicóptero com os braços erguidos, como se fosse um torcedor comemorando um gol, para festejar aos berros um assassinato.

Foi o que se viu naquela cena grotesca de agosto do ano passado, depois que a polícia matou a tiros o sequestrador de um ônibus no Rio. Wilson Witzel quis mostrar que poderia ir além de Bolsonaro.

Ele seria mais do que um fascista ligado à chinelagem dos milicianos. Seria um extremista de elite, um ex-fuzileiro naval que torce por quem atira para matar.

Mas a euforia de Witzel, que sobrevoava as favelas carregando uma metralhadora e simulava atirar nos moradores lá embaixo, está fora do jogo.

Witzel caiu como um chinelão. Bolsonaro tirou o fuzileiro da guerra de facções que começou com ele, Witzel e depois ganhou Moro. Sobraram Bolsonaro e o ex-juiz.

Nenhum tem partido, nenhum tem vínculo com as normalidades das liturgias da política, mas ambos têm armas e munição pesada para disparar contra o outro. Bolsonaro e Moro vão se matar.

Com Witzel baleado, os dois podem se esfolar mutuamente, com Bolsonaro brigando de vez em quando com personagens das periferias.

Doria Júnior é um deles, mas será um coadjuvante dessa guerra.
Bolsonaro derruba o tucano daqui a pouco, no mesmo enredo da Polícia Federal que vai acabar com Helder Barbalho, do Pará, e pode pegar Flavio Dino, do Maranhão.

Todos serão acusados de explorar a pandemia e superfaturar para roubar. Dino entrará de gaiato nessa turma, mas Bolsonaro vai tentar enquadrá-lo. É o ataque para destruir os governadores.

Mas o grande duelo será de Bolsonaro com Moro, enquanto avançam as investigações em torno dos rolos das fake news e das relações suspeitas do sujeito com gente da Polícia Federal.

Moro faz um movimento e Bolsonaro responde, como fez agora com a reativação da delação de Tacla Duran. Essas são as facções em guerra na extrema direita, mesmo que Moro tenha tentado correr para o centro.

Quem cairá primeiro, sabendo-se que os dois cairão em algum momento? Bolsonaro, já abalado, pode se desmanchar antes do fim da pandemia.

Talvez não caia, mas estará aos pedaços, sustentado de pé pelas gambiarras dos militares que ainda não sabem o que fazer com o traste.

Bolsonaro não aguentará a segunda onda da peste. Em pouco tempo, será um homem com pernas e braços amarrados ao tronco por arames.

Os militares terão de dar um jeito, possivelmente com mais arame. Até que a cabeça se desgrude do tronco e despenque aos pés dos generais.

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