
A seleção da República Democrática do Congo teve um desfalque incomum na vitória por 3 a 1 sobre o Uzbequistão obtida neste sábado (27), pela última rodada do Grupo K da Copa do Mundo. Não foi um jogador, mas um dos torcedores mais conhecidos da equipe.
Michel Kuka Mboladinga, conhecido como “Lumumba Vea”, teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado e não acompanhou a partida em Atlanta. A ausência chamou atenção porque Mboladinga se transformou em um símbolo da torcida congolesa ao assistir aos jogos completamente imóvel, com o braço erguido, reproduzindo a estátua de Patrice Lumumba, em Kinshasa.
Patrice Lumumba foi o primeiro-ministro do Congo após a independência e um dos principais líderes da luta anticolonial na África. Em 17 de janeiro de 1961, ele foi torturado e assassinado em uma conspiração que envolveu diretamente a CIA e autoridades da Bélgica.
Seu corpo foi desmembrado e dissolvido em ácido sulfúrico. A ordem de execução fora dada um ano antes, numa reunião do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, pelo presidente Dwight Eisenhower, segundo documentos oficiais do governo americano.

Antes da negativa para entrar nos Estados Unidos, Mboladinga conseguiu acompanhar a derrota da RD Congo por 1 a 0 para a Colômbia, em Guadalajara, no México. Sua viagem ao Mundial, porém, já havia enfrentado atrasos devido às restrições impostas a viajantes vindos do Congo em razão de um surto de ebola.
A embaixadora da RD Congo em Washington, Kapinga Yvette Ngandu, afirmou à Reuters que espera que o torcedor consiga obter o visto caso a seleção avance às oitavas de final. “Espero que ele leve seu próprio tipo de apoio à equipe”, declarou.
Não é a primeira vez que Mboladinga enfrenta dificuldades burocráticas para acompanhar sua seleção. Em março, ele ficou fora do playoff mundial contra a Jamaica, disputado no México, por não conseguir emitir o visto a tempo, mesmo após viajar ao Quênia e à Etiópia em busca da documentação necessária.
A vitória sobre o Uzbequistão manteve os congoleses na competição: com quatro pontos, garantiram a classificação para a fase eliminatória.
A campanha também tem um peso histórico. Esta é apenas a segunda participação da RD Congo em uma Copa do Mundo e a primeira desde 1974, quando o país ainda competia como Zaire. O retorno ao torneio representa a oportunidade de apagar a lembrança da campanha desastrosa de 52 anos atrás, quando a equipe perdeu os três jogos, sofreu 14 gols e terminou a competição sem marcar uma única vez.
WE ARE READY 🇨🇩🐆🐆🐆
🙋🏾♂️ pic.twitter.com/m71maaUeZY— LUMUMBA VEA 🇨🇩🐆 (@JumbaDrc) June 23, 2026