Trabalhar menos pode elevar a produtividade, diz Nobel de Economia

Atualizado em 4 de junho de 2026 às 20:41
Nobel de Economia
O economista Christopher Pissarides, vencedor do Nobel de Economia de 2010. Foto: Simon Dawson/Bloomberg

O economista Christopher Pissarides, vencedor do Nobel de Economia de 2010, afirmou que as pessoas tendem a ser mais produtivas quando trabalham menos horas por dia e por semana. A declaração foi dada ao programa Capital Insights, parceria entre a Broadcast e o CNN Brasil Money.

Segundo Pissarides, a redução da carga horária é um movimento que ocorre ao longo da história e deve continuar avançando. Ele defendeu, no entanto, que mudanças desse tipo sejam negociadas entre empresas e trabalhadores, e não simplesmente impostas pelo governo.

“É preciso ouvir a todos. A redução da carga de trabalho vem acontecendo de tempos em tempos ao longo da história. E vai continuar acontecendo. Mas não é algo que deve ser imposto”, afirmou o professor da London School of Economics.

O economista também contestou a tese de que a redução da escala de trabalho provocaria inflação automaticamente. Para ele, esse tipo de afirmação é precipitado, porque os efeitos dependem das condições específicas de cada país, setor e momento econômico.

Ilustrativa
O fim da escala 6×1 é um dos principais debates neste ano eleitoral. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Pissarides ainda criticou o modelo de remuneração por hora trabalhada. Na avaliação dele, esse formato transfere ao empregado parte do risco que deveria ser assumido pela empresa. “O risco do negócio é da empresa”, disse.

O Nobel de Economia também se posicionou contra negociações individualizadas de contratos, direitos e deveres trabalhistas para a maior parte dos empregados. Segundo ele, o trabalhador costuma estar em posição mais fraca que a empresa, o que exige negociação coletiva.

Para Pissarides, sindicatos profissionais devem conduzir a negociação dos contratos para a massa dos trabalhadores. Ele afirmou que acordos individuais podem fazer sentido apenas em cargos mais altos, como funções seniores e de gerência, onde esse modelo já é comum.

Assista a entrevista completa de Christopher Pissarides ao Capital Insights:

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!