Por que Lobão não segue o conselho do companheiro Feliciano e se candidata?

O parlamento precisa de pessoas como ele e Lobão
O parlamento precisa de pessoas como ele e Lobão

 

A Câmara dos Deputados foi cenário de um encontro entre dois gigantes da política brasileira, cada um em sua trincheira. Dois nomes que mereciam já ter se cruzado, donos da mesma agenda, e que, por força das circunstâncias, só puderam trocar cumprimentos pessoalmente agora.

Foi na quarta feira, durante a votação do PLN 36, um dia depois do quebra-quebra nas galerias.

Lobão finalmente foi apresentado formalmente a Marco Feliciano, que fez a pergunta que está entalada na garganta das 500 pessoas que se encontram no Masp uma vez por mês para marchar contra tudo isso que está aí: por que o cantor não se candidata, logo, a algum cargo?

Reproduzo aqui o relato de Mario Coelho no site Congresso em Foco:

 

Um dos momentos presenciados pela reportagem foi uma conversa de Lobão com o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Após o parlamentar paulista se apresentar – “você sabe quem eu sou? Sou o Marco Feliciano” -, os dois conversaram sobre política, a pauta no Congresso e a forma que a política hoje é feita no país. Feliciano disse que o Parlamento precisa de pessoas como o Lobão. Mas o músico franziu a testa para a proposta. Afirmou não se interessar pela política partidária, confessou que lhe falta a “disciplina” para ter um mandato.

“É preciso muita disciplina, minha vida toda está voltada para a música”, comentou. Ainda na tentativa de convencer o músico a se candidatar, o deputado pastor afirmou que o trabalho é apenas às terças e quartas-feiras, que teria os outros dias para fazer o que gosta. Mesmo assim, Lobão não pareceu interessado na proposta. Por enquanto, a militância política como cidadão e artista parece satisfazer João Luiz no momento.

Tão longe, tão perto

Na conversa, Feliciano fez diversas críticas aos grupos que atuam pelos direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). “Apanhei muito quando presidi a Comissão de Direitos Humanos”, desabafou Feliciano. “Porra, já me chamaram de homofóbico várias vezes. Logo eu, amigo de Cazuza, de Renato [Russo]“, retrucou Lobão. Outro ponto de vista similar ocorreu na educação. Para ambos, existe uma “doutrinação de esquerda” nas escolas.

Lobão tem mais quase dois metros de altura. Barba longa grisalha, veste calça jeans mais justa e uma camiseta azul clara. Parece quase despido de vaidade, ao contrário de Feliciano, que usa ternos bem cortados, barba aparada e cabelo alisado. Um é roqueiro, já foi preso por tráfico de drogas e apoiou o PT e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O outro é pastor evangélico e cantor gospel. Mas, no direcionamento político, estão mais próximos do que leva crer a imagem que ambos passam para o público.

Neste momento, Feliciano lamenta já ter tentando conversar com o cantor e não conseguido resposta. Disse ter um bom relacionamento com o filósofo Olavo de Carvalho, o mais citado entre os conservadores brasileiros, mas que não recebeu uma resposta de um tuíte direcionado ao cantor. “Poxa, são tantas as menções [no Twitter]“, respondeu o músico, que em seguida deu seu telefone para o dublê de deputado e pastor da Igreja Catedral do Avivamento, ligada à Assembleia de Deus.

 

Feliciano, um homem do Senhor, preocupado com os destinos do país, soube usar do dom do convencimento para com Lobão.

A tietagem genuína deixa clara sua premência em encontrar colegas tão comprometidos na salvação da família brasileira quanto ele. Alguém para ajudá-lo a nos livrar do bolivarianismo, do abortismo, da revolução marxista, do movimento LGBT e de outras veadagens.

Parece muita coisa, mas não é. “O trabalho é apenas às terças e quartas”, reforçou o pastor. Ufa. Pode não dar nada. Mas, no mínimo, essa troca de telefone promete ser o início de uma bela amizade.

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