
O número de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil aumentou em 2025, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Ao longo do ano, fiscais retiraram 2.772 pessoas dessa situação, alta de 38,3% em relação a 2024, quando 2.004 trabalhadores foram encontrados em condições irregulares.
As equipes de fiscalização realizaram 1.594 operações durante o período. De acordo com o ministério, os trabalhadores resgatados receberam mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias após as ações. As inspeções fazem parte das atividades permanentes de combate ao trabalho escravo no país.
Desde 1995, quando as fiscalizações começaram, mais de 68 mil pessoas já foram retiradas de situações consideradas análogas à escravidão. Em 2025, a maioria dos casos ocorreu em áreas urbanas, que concentraram 68% dos resgates, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho.
O número de denúncias também aumentou nos últimos anos. Em 2025, o Disque 100 recebeu 4.516 registros, contra 3.959 em 2024. Em 2023 foram 3.430 denúncias, em 2022 foram 2.084, em 2021 foram 1.918 e em 2020 foram 915. Os dados foram informados pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania por meio da Lei de Acesso à Informação.

A atualização mais recente da chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada em outubro de 2025, inclui 669 empregadores. A nova versão acrescentou 159 nomes, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas, aumento de 20% em relação à atualização anterior.
Os casos incluídos nessa relação ocorreram entre 2020 e 2025 e envolveram 1.530 trabalhadores resgatados. Entre os estados com mais registros estão Minas Gerais, com 33 inclusões, São Paulo com 19, Mato Grosso do Sul com 13 e Bahia com 12.
Entre as atividades econômicas com maior número de ocorrências aparecem a criação de bovinos para corte, serviços domésticos, cultivo de café e construção civil. Parte dos registros também está relacionada a atividades urbanas, que representaram 16% das inclusões na lista.
O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil e outros 59 países para apurar suspeitas de uso de trabalho forçado na produção e importação de bens. A apuração pode resultar em novas tarifas. O setor agropecuário brasileiro nega as acusações e afirma que o país mantém acordos internacionais para proibir esse tipo de prática.