Traição? Como aliados de Toffoli no STF se sentiram após vazamento de reuniões

Atualizado em 14 de fevereiro de 2026 às 12:04
O ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aliados de Dias Toffoli, reagiram com irritação ao vazamento de trechos das reuniões reservadas que discutiram sua saída da relatoria do caso Banco Master. A exposição de diálogos internos da Corte provocou um clima de desconfiança entre os magistrados, que se reuniram a portas fechadas na quinta-feira (12).

A gravação das conversas tem sido atribuída nos bastidores ao próprio Toffoli, hipótese negada pelo ministro. “Eu não gravo e não fico relatando conversa de ministros. Não relato conversas pessoais nem institucionais. Nunca gravei uma conversa na minha vida”, afirmou à Folha de S.Paulo. Mesmo assim, a suspeita persistiu entre integrantes do tribunal, especialmente por ele ter participado de todos os encontros citados.

Segundo relatos de ministros ouvidos reservadamente, o vazamento foi interpretado como um “mau passo” e agravou o ambiente de tensão interna após a crise envolvendo o caso Master. Um magistrado classificou o episódio como “coisa de moleque”, sinalizando o grau de desconforto provocado pela divulgação das conversas confidenciais.

Supremo Tribunal Federal (STF)
Supremo Tribunal Federal (STF) – Divulgação

A primeira reunião ocorreu por volta das 13h30 e contou com Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e o próprio Toffoli. O segundo encontro, iniciado às 16h30 e que avançou pela noite, reuniu todos os ministros e resultou na decisão pelo afastamento do magistrado da relatoria. Na ocasião, André Mendonça e Luiz Fux participaram por videoconferência.

De acordo com integrantes do STF, a hipótese de que a gravação tenha sido feita por técnicos de informática foi considerada pouco plausível, já que a videoconferência não foi registrada nem acompanhada por terceiros após o início da sessão. A presença restrita aos ministros reforçou a suspeita de que o vazamento tenha origem interna.

Outro ponto que alimentou as desconfianças foi o conteúdo divulgado, que traria declarações favoráveis a Toffoli, embora relatos indiquem que também houve críticas ao ministro durante os debates. Integrantes da Corte questionaram a fidelidade dos diálogos publicados e afirmaram que há trechos “diferentes” do que efetivamente foi discutido.

O episódio acrescenta um novo capítulo à crise institucional no STF desencadeada pelas investigações relacionadas ao Banco Master. Além do impacto político, a divulgação de conversas internas é vista como potencial ameaça à confiança entre os magistrados, já que reuniões reservadas são consideradas essenciais para a tomada de decisões colegiadas.

Nos bastidores, a avaliação é que o tribunal enfrentará consequências prolongadas do episódio, com aumento da cautela entre ministros e possível endurecimento de protocolos de segurança para evitar novos vazamentos. Enquanto isso, o caso Master segue sob nova relatoria, após a saída de Toffoli.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.