“Traidor”: Mourão é massacrado por bolsonaristas após homenagem a Wagner Moura

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 16:51
Hamilton Mourão e Wagner Moura. Foto: Reprodução

O senador, ex-vice-presidente e general da reserva Hamilton Mourão (Republicanos-RS) está sendo detonado nas redes por bolsonaristas após assinar um voto de aplauso ao filme “O Agente Secreto”. A homenagem reconhece o sucesso internacional do longa protagonizado por Wagner Moura, cuja temática aborda a perseguição a um pesquisador durante o regime militar.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme venceu o Globo de Ouro de 2026 nas categorias de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama. Durante o discurso de agradecimento, Wagner Moura fez críticas diretas ao período recente da política nacional.

“Nos últimos anos, o Brasil enfrentou o rosto do fascismo e da extrema-direita através de Jair Bolsonaro”, afirmou o ator, declaração que virou munição para apoiadores do ex-presidente.

O voto de aplauso foi apresentado pela senadora Leila Barros (PDT-DF), que lembrou do impacto da conquista para a projeção internacional do cinema nacional. Na justificativa, a parlamentar afirmou que o filme contribui para o debate sobre memória, verdade e consciência histórica ao revisitar o período da ditadura.

Ao comentar o voto de aplauso, Mourão tentou separar reconhecimento artístico de alinhamento ideológico. “Wagner Moura é um artista versátil e muito bom, mas temos opiniões políticas totalmente contrárias”, escreveu.

A explicação, porém, não foi suficiente para conter a reação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas redes, bolsonaristas têm chamado Mourão de “traidor” por elogiar a obra e dito que ele exerce o papel de “oposição meramente protocolar” ao governo Lula.

Outros perfis de extrema-direita dizem que o senador “esquece quem representava” ao elogiar o filme. Há ainda quem chame o general de “comunista” e use o termo “melancia”, termo usado para atacar autoridades que seriam verdes por fora (cor associada ao patriotismo) e vermelhas por dentro (cor atribuída ao comunismo e ao PT).

Veja a repercussão:

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.