
Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, se tornou o único foragido entre os condenados do “núcleo 4” da trama golpista que envolveu a tentativa de deslegitimar as urnas eletrônicas nas eleições de 2022. Após o ministro Alexandre de Moraes emitir mandados de prisão domiciliar, ele usou as redes sociais para se defender das acusações.
Em três publicações feitas na segunda (29), que foram excluídas posteriormente, Rocha afirmou que o trabalho realizado por seu instituto foi puramente técnico e não teve intenções políticas de deslegitimar o processo eleitoral. Ele foi condenado a 7 anos e 6 meses de prisão por organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O engenheiro é acusado de produzir e divulgar um relatório técnico, encomendado pelo Partido Liberal (PL), que teria sido usado como base para ações que buscavam anular votos nas eleições. Porém, em suas publicações, Rocha argumentou que o relatório apenas apresentava observações técnicas, sem alegar fraude no processo eleitoral. Ele ainda acusou a Procuradoria-Geral da República (PGR) de apresentar contradições sobre sua atuação.
Ele afirmou que, enquanto a procuradoria fez uma avaliação positiva de seu relatório no Núcleo 1 da investigação, as mesmas informações foram usadas de forma negativa no Núcleo 4, no qual ele foi implicado. Rocha alegou que sua intenção sempre foi fazer um trabalho de auditoria das urnas e não de deslegitimação do processo eleitoral.

Além de Rocha, outros membros do grupo também receberam a medida de prisão domiciliar, como o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida, que se entregou à Polícia Federal no domingo (28). Ele foi o primeiro a se entregar, após uma investigação que apontava risco de fuga.
Sua defesa afirmou que ele sempre colaborou com as autoridades e que a prisão domiciliar era uma medida desnecessária. A decisão de prisão domiciliar também se deu após o caso de Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, que tentou fugir para o exterior com passaporte falso e foi preso no Paraguai.
No caso de Rocha, a situação se complica ainda mais, pois ele não se entregou e é considerado foragido pela Polícia Federal.