Três homens e uma sentença: a absolvição de Gentili no caso em que ofereceu bananas a um negro

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1) Na Espanha, o sujeito que atirou uma banana para Daniel Alves no jogo entre Barcelona e Villarreal foi banido do estádio El Madrigal.

O time liberou um boletim oficial:

“O Villarreal quer comunicar que lamenta e rechaça profundamente o incidente ocorrido ontem (domingo) na partida contra o Barcelona, na qual um torcedor atirou um objeto sobre o campo de jogo. Obrigado à equipe de segurança e à estimável colaboração exemplar da torcida amarela. O clube já localizou o autor e decidiu retirar o carnê e proibir o acesso ao estádio El Madrigal por toda a vida”.

O Villarreal ainda corre o risco de ser punido pela federação espanhola de futebol. O jornal espanhol Marca deu o nome do cidadão: David Campayo Lleo, de 26 anos, responsável por uma das equipes de categoria de base do clube. Pode pegar até três anos de prisão.

2) Nos EUA, Donald Sterling, dono do Los Angeles Clippers, foi flagrado numa conversa de teor racista com a namorada V. Stiviano.

O empresário lhe dava uma dura por publicar uma foto ao lado de Magic Johnson no Instagram. “Fico muito incomodado em você querer aparecer ao lado de pessoas negras. Por que você faz isso? Você pode dormir [com eles], pode fazer o que quiser. A única coisa que peço é que não divulgue isso. E não os traga aos meus jogos”.

Houve uma onda de indignação parecida com a que se seguiu ao ocorrido com Daniel Alves. Obama se declarou enojado. Os atletas dos Clippers usaram meias pretas e camisas do avesso em protesto.

Sterling foi suspenso para sempre da NBA e terá de pagar uma multa de 2,5 milhões de dólares (em torno de 5,5 milhões de reais). Ele também não poderá frequentar nenhuma quadra da liga de basquete em dias de jogos ou treinos.

3) No Brasil, a 10ª Vara Criminal da Justiça do Estado de São Paulo absolveu Danilo Gentili da acusação de racismo.

Em 2012, após uma troca de mensagens no Twitter com o redator Thiago Ribeiro, Gentili escreveu o seguinte: “Quantas bananas você quer para deixar essa história para lá?”. Thiago entrou com um processo.

O juiz Marcelo Matias Pereira não viu nada de mais. Sua sentença é uma pérola: “Não comprovado este animus, não há que se falar em crime contra a honra”.

“Se a afirmação do réu tivesse sido feita em uma situação completamente descontextualizada, fora do ambiente em que costuma criar piadas com os ‘posts’ de seus seguidores, poderíamos pensar naquele intuito de ofender”. 

“Seria necessário algo a mais do que uma piada grosseira e infeliz, vale dizer, um intuito de realmente ofender a vítima, desqualificando-a pela cor de sua pele, o que não ocorreu no caso em questão”.

Como Thiago já se autointitulara “King Kong”, estava tudo liberado. “São pelo menos três mensagens que o ofendido dizia ser um ‘King Kong’, bem como que iria fazer o réu pagar por supostos crimes cometidos”.

O juiz Pereira se permitiu apenas uma chamada paternal no humorista: “O réu tem que entender que há limites para as brincadeiras, ainda mais quando direcionadas a um indivíduo específico”.

***

Além da derrota, Thiago Pereira está sendo xingado pela canalha de fãs do comediante. Nas redes sociais, um deles já escreveu que ele merece ser chicoteado. Outro, que, se ele quer aparecer, coloque uma banana no pescoço. E por aí vai.

Thiago avisou que, agora, vai “processar Gentili, Band e o Estado!” Provavelmente, vai ganhar mais uma banana, só que da Justiça brasileira.

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