Trump acabou com a OTAN, diz professor de relações internacionais

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 13:06
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Reprodução

O professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um passo decisivo para esvaziar a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao defender a anexação da Groenlândia como suposta garantia de segurança contra Rússia e China.

O argumento, diz o analista, revela uma ruptura prática com os fundamentos da aliança militar que sustenta a arquitetura de segurança do Ocidente desde o pós-guerra. “Um dos argumentos mais reveladores de Donald Trump nas últimas semanas foi a afirmação de que os Estados Unidos precisam anexar a Groenlândia para protegê-la da Rússia e da China. Levado a sério, isso significa que a OTAN já acabou”, afirma Stuenkel.

A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, membro pleno da OTAN desde 1949, o que tornaria desnecessária qualquer anexação para fins de defesa. O professor lembra que o Artigo 5º do tratado é explícito ao estabelecer que um ataque a um aliado equivale a um ataque a todos, exigindo resposta coletiva.

“Se Trump aceitasse a validade desse princípio, não haveria absolutamente nenhuma necessidade de anexar território algum para garantir sua defesa. A obrigação de proteger a Groenlândia já existiria”, escreve o pesquisador.

Ao sugerir que só poderia “proteger” a ilha assumindo controle direto, Trump sinaliza que não pretende respeitar o Artigo 5º, avalia Stuenkel.

Oliver Stuenkel. Foto: Ana Volpe/Agência Senado

Leia na íntegra:

Um dos argumentos mais reveladores de Donald Trump nas últimas semanas foi a afirmação de que os Estados Unidos precisam anexar a Groenlândia para protegê-la da Rússia e da China. Levado a sério, isso significa que a OTAN já acabou.

A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, que é membro pleno da OTAN desde a fundação da aliança, em 1949. O Artigo 5º do tratado é claro: um ataque contra um aliado é considerado um ataque contra todos, e exige resposta coletiva. Se Trump aceitasse a validade desse princípio, não haveria absolutamente nenhuma necessidade de anexar território algum para garantir sua defesa. A obrigação de proteger a Groenlândia já existiria.

Ao sugerir que só poderia “proteger” a ilha tomando controle direto sobre ela, Trump sinaliza que não pretende respeitar o Artigo 5º. Isso equivale a dizer que, do ponto de vista do presidente dos Estados Unidos, a espinha dorsal da OTAN deixou de existir.

Há ainda uma ironia histórica difícil de ignorar. Trump repete com frequência que os Estados Unidos “nunca ganharam nada” com a OTAN. Mas os fatos contam outra história. Os EUA foram o único país da aliança a invocar formalmente o Artigo 5º — depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Naquele momento, aliados europeus enviaram tropas, recursos e apoio político para apoiar os Estados Unidos no Afeganistão. Numerosos soldados europeus e canadenses da OTAN (inclusive dinamarqueses) morreram.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.