
O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de iniciar operações terrestres contra cartéis de drogas no México, após meses de ações navais no Pacífico e no Caribe. A declaração foi feita nesta quinta-feira (8) em entrevista exibida pela Fox News.
“Vamos começar agora a atacar por terra os cartéis. Eles estão controlando o México. Estão matando 250, 300 mil pessoas no nosso país todos os anos.” Ele classificou a situação como crítica e acrescentou: “É muito, muito triste ver o que aconteceu com aquele país.”
Washington já incluiu diversos cartéis mexicanos na lista de organizações terroristas e não descartou incursões no território vizinho. Trump afirmou que chegou a perguntar à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, se ela precisava de apoio militar dos EUA para combater os grupos criminosos.
Segundo ele, o México “precisa se organizar”, embora não tenha apresentado detalhes adicionais sobre operações.
🚨 Trump says the US will be conducting land strikes against the cartels. "We are gonna start now hitting land, with regard to the cartels. The cartels are running Mexico." pic.twitter.com/63sOf5NWIy
— Breaking911 (@Breaking911) January 9, 2026
“América não pertence aos EUA”
Claudia Sheinbaum rejeitou qualquer intervenção dos Estados Unidos. A presidente afirmou que seu país mantém posição clara em defesa da soberania e criticou a ideia de ações militares estrangeiras.
Durante entrevista coletiva, declarou que a América não pertence a nenhuma potência: “O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem”.
Sheinbaum disse que o México rejeita “de maneira categórica a intervenção nos assuntos internos de outros países”, destacando que esse tipo de ação “nunca trouxe democracia” nem garantiu “bem-estar ou estabilidade duradoura”.
A presidente ainda afirmou que conversou recentemente com Gustavo Petro e Pedro Sánchez para coordenar um comunicado conjunto contra “qualquer tentativa de controle” sobre a Venezuela, com participação também de Brasil, Chile e Uruguai.
Apesar das críticas à retórica de Trump, o governo mexicano mantém cooperação com a inteligência estadunidense em ações contra cartéis. Os dois países compartilham mais de 3.000 quilômetros de fronteira e os EUA seguem como principal parceiro econômico do México.