
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar a infraestrutura elétrica e o setor de petróleo do Irã durante um pronunciamento em rede de televisão na noite desta quarta-feira (1º). Trump afirmou que, caso não haja um acordo dentro de um prazo determinado, os Estados Unidos estão dispostos a “atingir cada uma das usinas geradoras de eletricidade com muita força e provavelmente de forma simultânea”.
Sobre o setor de petróleo iraniano, Trump declarou que o alvo só não foi atacado até o momento para permitir “uma chance mínima de reconstrução futura”. “Não atacamos o petróleo deles, embora seja o alvo mais fácil de todos, porque isso não lhes daria nem uma pequena chance de sobrevivência ou reconstrução. Mas poderíamos atingi-lo e ele desapareceria, e não há nada que eles pudessem fazer a respeito”, disse o presidente.
Trump também alertou que as instalações nucleares iranianas, já destruídas em ataques anteriores, estão sob vigilância constante. “Se os virmos fazer um movimento, até mesmo um movimento em direção a isso [os locais nucleares], vamos atingi-los com mísseis com muita força. Novamente. Nós temos todas as cartas. Eles não têm nenhuma”, afirmou.
As declarações foram feitas em meio a uma crescente pressão interna. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera mostrou que a maioria dos americanos rejeita a guerra e deseja o fim rápido do envolvimento dos EUA no conflito.
Analistas e organizações internacionais classificaram as ameaças de Trump como potenciais crimes de guerra. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e especialistas em direito internacional humanitário apontam que ataques deliberados contra infraestrutura civil essencial, como usinas de eletricidade, constituem violação das Convenções de Genebra, que proíbem ataques a instalações indispensáveis à sobrevivência da população civil.
O governo do Irã ainda não respondeu oficialmente às novas ameaças de Trump. No entanto, a Guarda Revolucionária iraniana reafirmou nesta quarta-feira que o Estreito de Hormuz continuará fechado “para os inimigos”, em resposta à declaração anterior do presidente americano de que o Irã teria pedido um cessar-fogo – informação negada por Teerã.