Trump ameaça Netflix e exige demissão de ex-membro do governo Obama: “Terá consequências”

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 22:42
O presidente dos EUA Donald Trump — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Netflix a demitir Susan Rice de seu conselho — ou “arque com as consequências” — após a democrata afirmar que seu partido deve agir contra empresas que “se ajoelham” diante do presidente. A cobrança foi publicada no sábado, na plataforma Truth Social, em uma postagem em que Trump voltou a atacar a ex-autoridade do governo Obama.

“A Netflix deveria demitir a racista e obcecada por Trump Susan Rice, IMEDIATAMENTE, ou pagar as consequências. Ela não tem talento nem habilidades — é puramente uma operadora política!”, escreveu Trump, ao republicar uma publicação da influenciadora Laura Loomer no X. Em seguida, reforçou o ataque: “O PODER DELA ACABOU, E NUNCA MAIS VOLTARÁ. Quanto ela está sendo paga, e para quê???”.

Rice foi conselheira de segurança nacional de Barack Obama e embaixadora dos EUA na ONU. Na quinta-feira, em entrevista ao podcast do ex-procurador federal Preet Bharara, ela disse que empresas, organizações de notícias e escritórios de advocacia que atenderam a exigências de lealdade de Trump perceberam a impopularidade do gesto.

“Eles vão ser pegos desprevenidos”, afirmou. Rice previu que os democratas adotariam “uma agenda de responsabilização”, recomendou que as empresas “preservem seus documentos” e “estejam preparadas para intimações”. “Eles serão responsabilizados” se os democratas voltarem ao poder, disse ela, acrescentando: “Se acham que os democratas vão jogar pelas regras antigas, estão muito enganados”. Rice integrou o conselho da Netflix de 2018 a 2020 e foi reconduzida em 2023, após deixar o governo Joe Biden, no qual também participou do Conselho de Política Doméstica.

Netflix na TV. Foto: Divulgação

O posicionamento de Trump ocorre no momento em que a Netflix e a Paramount Skydance disputam a compra da Warner Bros Discovery, um negócio que depende de aval de reguladores federais. Segundo o Financial Times, Trump se manifestou após pressão pública de Loomer, que escreveu que a Netflix apoia uma conselheira que estaria ameaçando “metade do país” com retaliação política, chamando a plataforma de “antiamericana” e “woke”. Trump, porém, não detalhou quais seriam as “consequências” para a empresa — embora já tenha criticado emissoras por conteúdos que rejeita, e o presidente da FCC, Brendan Carr, tenha ameaçado licenças de transmissão de algumas redes.

Ainda de acordo com o FT, a Warner reabriu nesta semana negociações com a Paramount, dando ao grupo de David Ellison até segunda-feira para apresentar uma “melhor e última” oferta, capaz de superar o acordo de US$ 83 bilhões já fechado com a Netflix — ou encerrar a tentativa de compra. A Paramount é financiada por Larry Ellison, pai de David, bilionário fundador da Oracle e doador de Trump. A Netflix foi procurada, mas não respondeu de imediato.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.