Trump anuncia saída de 700 agentes do ICE em Minnesota após protestos

Atualizado em 4 de fevereiro de 2026 às 13:42
Agentes do ICE de Donald Trump. Foto: Divulgação

O governo de Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (4) a retirada de 700 agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) do estado de Minnesota. A decisão ocorre após uma sequência de mortes envolvendo ações da polícia migratória e uma onda de protestos que se espalhou por Minneapolis e outras cidades dos Estados Unidos.

Antes do recuo parcial, cerca de 3.000 agentes haviam sido enviados ao estado para executar a política migratória de endurecimento adotada pelo governo Trump, voltada à prisão e deportação de imigrantes em situação irregular. Com a mudança, pouco mais de 2.000 agentes seguirão atuando em Minnesota, segundo informações oficiais da Casa Branca.

O anúncio foi feito pelo chamado “czar da fronteira”, Tom Homan, enviado pessoalmente por Trump ao estado após a comoção gerada pela morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes do ICE durante uma operação. A presença dele foi interpretada por autoridades locais como uma tentativa de reduzir a tensão e reorganizar a atuação federal.

Em entrevista coletiva concedida em Minneapolis, ele afirmou que a retirada ocorre com efeito imediato. “Dado o aumento da colaboração sem precedentes” e a “necessidade por menos forças de segurança”, 700 agentes estão deixando o estado nesta quarta-feira, disse o funcionário.

Segundo ele, outros 2.000 permanecerão em Minnesota, número muito superior ao efetivo anterior às operações, que era de cerca de 150 agentes. Homan ressaltou que parte do contingente permanecerá para investigações específicas.

“Temos que lembrar que temos agentes especiais destacados aqui para investigar fraudes. Eles não vão a lugar nenhum, eles vão terminar o trabalho deles”, afirmou. Apesar disso, o chefe da fronteira deixou claro que o ICE não deixará o estado enquanto não houver o que chamou de “mudança na anarquia”.

Em tom de advertência, Homan declarou: “Parem de atrapalhar, parem de violar a lei porque vamos prendê-los”, ao se referir a pessoas que, segundo ele, estariam dificultando a atuação dos agentes federais. A fala ocorre dias após o próprio Trump afirmar que não retiraria o efetivo do ICE “de jeito nenhum”, embora tenha admitido a necessidade de “reduzir um pouco a tensão” em Minneapolis.

Paralelamente à redução do contingente, o governo federal anunciou ajustes operacionais. Na segunda-feira (2), a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, informou que o governo iniciou a distribuição obrigatória de câmeras corporais para todos os agentes do ICE em serviço em Minneapolis.

“Com efeito imediato, estamos distribuindo câmeras corporais para todos os policiais em serviço em Minneapolis. Conforme houver disponibilidade de recursos, o programa será expandido para todo o país”, disse ela em entrevista exibida na emissora X.

A medida responde diretamente aos protestos contra operações em massa de captura e deportação de imigrantes não regularizados. Embora alguns agentes já utilizassem câmeras, não havia até então uma exigência formal para todo o efetivo.

A ausência de registros audiovisuais vinha sendo alvo de críticas de autoridades locais e de organizações de direitos civis. Minneapolis se tornou o principal foco das manifestações após as mortes de dois cidadãos americanos baleados por agentes federais.

Um deles foi o enfermeiro Alex Pretti, atingido por dez disparos em 24 de janeiro e posteriormente rotulado de “encrenqueiro” por Trump. Antes dele, Renee Good, mãe de 37 anos, foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE, caso que também gerou forte reação popular.

Na semana passada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou a abertura de uma nova investigação sobre a morte de Pretti, com foco em possíveis violações de direitos fundamentais. O órgão afirmou que se trata de um procedimento “padrão”. As mortes impulsionaram protestos que reúnem milhares de pessoas, de Nova York, na costa leste, a Los Angeles, na costa oeste.

A decisão de Homan foi tomada após reuniões com o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e com o governador de Minnesota, Tim Walz, ambos do Partido Democrata. Os dois classificaram a operação do ICE como “irresponsável” e pressionaram pelo fim das ações em larga escala, chegando a um acordo com o governo federal para conter a crise.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.