
A juíza federal Tanya Chutkan suspendeu por 14 dias a construção do arco de 76 metros planejado pelo presidente Donald Trump em Washington, menos de uma hora depois de a Comissão de Planejamento da Capital Nacional aprovar o projeto. A decisão impede o governo de iniciar ou efetivar atividades de construção nas proximidades do local previsto.
A comissão aprovou a estrutura por oito votos a quatro na noite de quinta (5), após mais de oito horas de audiência pública virtual. Mais de 120 pessoas, entre elas veteranos de guerra, pediram que o colegiado rejeitasse o monumento perto do Cemitério Nacional de Arlington.
O governo Trump havia dito que poderia começar as obras imediatamente depois da votação. A Casa Branca tenta acelerar a execução antes da posse de um novo Congresso controlado pelos democratas, em janeiro, e Trump declarou que pretende concluir o arco antes de deixar o cargo, dentro de dois anos.
O deputado democrata Don Beyer, cujo distrito inclui o Cemitério Nacional de Arlington, participou de um protesto contra a obra e afirmou: “Essa abominação monumental do ego de um homem desrespeita todos os militares enterrados ali”. Críticos também questionam a ausência de autorização do Congresso para o projeto.

Veteranos contestam impacto do arco sobre Arlington
A ação judicial que levou à decisão de Chutkan reúne veteranos e defensores da preservação histórica. Os autores sustentam que o monumento viola a Lei de Obras Comemorativas, que exige aprovação legislativa para novos memoriais em Washington.
Os opositores afirmam que o tamanho e a localização do arco afetariam as perspectivas visuais do Memorial de Lincoln, da Arlington House e de outros marcos da capital. Eles também dizem que a estrutura comprometeria a solenidade dos funerais realizados no Cemitério Nacional de Arlington.
Michael Lemmon, principal autor da ação, classificou o processo de análise como apressado e com “resultado predeterminado”. Ele acusou o governo de excluir deliberadamente o Congresso, flexibilizar regras e ignorar avaliações técnicas sobre impactos negativos em Arlington.
Em análise divulgada em agosto, o Serviço Nacional de Parques reconheceu efeitos adversos do arco sobre até 42 locais históricos, com impactos mais graves em seis áreas próximas. Na quinta-feira, a agência informou ao tribunal que a empresa contratada tinha feito marcações no terreno sem autorização e que interromperia os trabalhos preparatórios.