Trump confessa surpresa com o “poder” do Irã, a escalada da guerra e revela caos no governo

Atualizado em 16 de março de 2026 às 20:48
Donald Trump em coletiva: perdido

Donald Trump fez uma confissão em coletiva na Casa Branca, admitindo que foi “pego de surpresa” pela escalada dos ataques do Irã, que atingiram diversos aliados do Golfo, como Arábia Saudita, Catar, Kwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, logo após a sua decisão de embarcar numa aventura criminosa com Israel.

Cada aparição do sujeito parece um episódio de “The Office”.

“Eles não deveriam ter ido atrás de todos esses outros países no Oriente Médio”, disse Trump, tentando explicar a surpresa diante da extensão dos ataques, enquanto continuava pressionando seus aliados da OTAN para que ajudassem a reabrir o Estreito de Ormuz, principal ponto de trânsito de petróleo no mundo.

O presidente dos EUA se mostrava perplexo com a rapidez com que a situação se agravou. “O Irã é uma nação de muito terror e muito poder”, admitiu.

Questionado se ninguém o brifou sobre o inimigo, ele se enrolou todo: “Ninguém. Ninguém. Não, não, não, não. Os maiores especialistas — ninguém achava que eles iriam atacar”.

A retaliação dos iranianos começou após a ofensiva da aliança entre EUA e Israel, que incluiu a dizimação de uma escola infantil para meninas. O aumento nos preços do petróleo e o aumento da tensão no Oriente Médio tem gerado uma pressão crescente sobre a administração Trump, com muitos aliados do Ocidente mostrando resistência a um envolvimento mais profundo no conflito.

“É um pouco injusto” o Irã revidar, disse o sujeito. Sim, você leu direito.

Para Trump, havia urgência para que outros países se envolvessem. Na coletiva de imprensa, insistiu que os Estados Unidos já possuíam petróleo suficiente e que, portanto, não precisavam do petróleo do estreito. Contudo, ele afirmou que seria interessante ver quais países se recusariam a apoiar os EUA. “Acredito que vários países já me disseram que estão a caminho de nos ajudar”, afirmou, sem nomear nenhum.

O governo dos Estados Unidos relatou a morte de pelo menos 13 soldados americanos e mais de 200 feridos, o que gerou uma reação interna de frustração. Além disso, as consequências da guerra já começam a afetar os consumidores americanos, com o preço do combustível disparando. A administração Trump, no entanto, segue em um cenário de contradições, enquanto ainda tenta convencer os aliados a se envolverem mais ativamente no conflito.

O presidente americano, em sua postura errática, não sabe o que fazer para a resolução do conflito. Ele não tem estratégia, não tem nada. Com aliados europeus desconfortáveis para se envolver na lambança ao lado dos EUA, e os custos humanos e econômicos aumentando, Trump se vê cada vez mais isolado em sua tentativa de forçar os outros países a acompanhá-lo.

A guerra no Oriente Médio já deixou mais de 2 mil mortos nas últimas duas semanas, a maioria no Irã e no Líbano, enquanto milhões de outras pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Ainda não se sabe quando o conflito vai terminar. Trump declarou na semana passada que só acabaria “quando sentir isso nos meus ossos.”

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.