
Se concretizado, será o primeiro encontro oficial entre Flávio e Trump desde que o senador passou a se apresentar como pré-candidato à Presidência.
Desde dezembro, quando anunciou a intenção de disputar o Planalto, Flávio tem feito viagens regulares aos Estados Unidos. Em março, participou da Conservative Political Action Conference (CPAC), um dos principais eventos da extrema-direita no mundo. Na ocasião, disse que o Brasil seria uma alternativa para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China na área de minerais críticos e chamou Lula de “antiamericano”.
A possível ida à Casa Branca ocorre em meio ao desgaste provocado pela relação de Flávio com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e pela crise envolvendo o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a campanha presidencial de 2018 de Jair Bolsonaro (PL). Após a repercussão do caso, o senador trocou recentemente o comando da comunicação de sua pré-campanha e contratou o publicitário Eduardo Fischer.

O senador prometeu pedir uma prestação de contas à produtora do longa. “Pedi à produtora para que se organizassem para fazer uma prestação de contas das despesas de todo mundo, de forma transparente”, afirmou. Ele também disse que, caso o filme tenha retorno financeiro, os valores ligados a Vorcaro serão separados. “Outro pedido é que, assim que o filme der resultado, o valor aplicado pelo Daniel Vorcaro vai ser destacado e ficará à disposição das autoridades para resolverem o que vão fazer”, declarou.
Flávio ainda admitiu ter visitado Vorcaro no fim de 2025, depois da prisão do banqueiro, mas sustentou que o encontro tratou apenas do filme. “Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele”, disse. Em seguida, afirmou: “Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”.
A crise ganhou força após versões divergentes sobre o financiamento da produção. Flávio inicialmente negou ter pedido dinheiro a Vorcaro e chamou as informações de “mentira”. Depois, admitiu ter buscado patrocínio privado e citou cláusulas de confidencialidade para justificar o silêncio anterior. Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme, também mudou a versão: primeiro disse que a produção não recebeu “um único centavo” de Vorcaro e depois passou a falar em “interpretações diferentes” sobre a negociação.
Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que uma foto ao lado de Trump poderia ajudar a conter o desgaste da pré-campanha. A equipe também estuda resgatar o símbolo “número 1”, popularizado nas campanhas da cerveja Brahma nos anos 1990, em referência ao apelido “01” do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Durante o encontro, Flávio pretende apresentar a Trump sua narrativa de “perseguição” contra a direita brasileira e contra aliados do ex-presidente investigados após os atos golpistas de 2022.