Trump costura acordo com Milei para envio de imigrantes deportados à Argentina

Atualizado em 31 de janeiro de 2026 às 15:57
O presidente da Argentina, Javier Milei (à esquerda), com o presidente dos EUA, Donald Trump

Os governos dos Estados Unidos e da Argentina negociam um acordo que permitiria a Washington deportar imigrantes de outras nacionalidades para o país sul-americano. As conversas estão em estágio avançado e foram confirmadas por duas pessoas com conhecimento direto das tratativas e por documentos do governo americano obtidos pelo New York Times.

O entendimento ocorre em meio à intensificação da política de deportações do governo de Donald Trump, que tem ampliado operações de imigração em cidades americanas. A estratégia inclui o envio de agentes federais para ações de fiscalização, algumas delas marcadas por episódios fatais, segundo o próprio texto divulgado pelo jornal americano.

Na Argentina, as negociações coincidem com o endurecimento do discurso e das ações contra a imigração sob o governo de Javier Milei. A administração argentina afirma ter realizado um número recorde de expulsões e recentemente mobilizou forças policiais para operações de fiscalização migratória nos arredores de Buenos Aires.

Embora o acordo ainda não esteja finalizado, ele evidencia o esforço de Milei para fortalecer sua aliança política com os Estados Unidos e apoiar a política migratória de Trump. A iniciativa, no entanto, entra em tensão com a própria agenda interna do governo argentino, que tem adotado uma postura cada vez mais restritiva em relação à imigração.

O presidente argentino, Javier Milei

A estratégia americana de firmar acordos com países terceiros busca contornar dificuldades para deportar migrantes a seus países de origem, seja pela ausência de relações diplomáticas, seja pela falta de documentos de viagem. Nos últimos meses, os Estados Unidos já enviaram migrantes de outras nacionalidades para países como Costa Rica, El Salvador, Eswatini e Panamá, apesar de questionamentos judiciais.

Segundo documentos citados pelo The New York Times, a proposta foi apresentada pelo vice-ministro interino das Relações Exteriores da Argentina, Juan Navarro, com o apoio do chanceler Pablo Quirno. O plano permitiria que migrantes detidos logo após cruzarem ilegalmente a fronteira americana fossem enviados à Argentina, de onde poderiam, em tese, seguir para seus países de origem.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina se recusou a comentar oficialmente as negociações, enquanto o Departamento de Estado dos EUA não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Registros do governo indicam que autoridades argentinas demonstraram preocupação com possíveis reações negativas da população, além do impacto financeiro e da falta de infraestrutura para acolher e transportar migrantes.

Caso o acordo seja concluído, a Argentina se somará a outros países sul-americanos alinhados politicamente a Trump, como Paraguai e Equador, que já firmaram acordos semelhantes. A negociação ocorre em um contexto histórico distinto para o país, tradicionalmente marcado por políticas migratórias mais permissivas, agora substituídas por um discurso que associa imigração a segurança e identidade nacional.