Trump debocha do Japão e constrange premiê do país ao comparar o Irã a Pearl Harbor

Atualizado em 19 de março de 2026 às 17:34
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar controvérsia ao fazer um comentário idiota durante um encontro com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no Salão Oval, na quinta (19).

Após uma série de perguntas sobre o conflito envolvendo o Irã, um jornalista japonês questionou por que os aliados dos EUA na Europa e na Ásia — incluindo o próprio Japão — não foram informados previamente sobre a ação militar. Em resposta, Trump afirmou que o elemento surpresa era essencial.

“Uma coisa que você não quer é sinalizar demais. Quando entramos, entramos com força total e não contamos a ninguém porque queríamos surpresa. Quem entende melhor de surpresa do que o Japão?”, rebateu.

A fala arrancou risos no momento, mas o presidente seguiu adiante com uma provocação ainda mais direta: “Por que vocês não me avisaram sobre Pearl Harbor?”

O clima rapidamente mudou. A primeira-ministra demonstrou desconforto visível ao ouvir a referência ao ataque japonês na Segunda Guerra Mundial que levou os Estados Unidos a entrarem no conflito.

O ataque japonês à base naval americana no Havaí ocorreu em 7 de dezembro de 1941, causando a morte de 2.390 pessoas. No dia seguinte, os EUA declararam guerra ao Japão. Na época, o então presidente Franklin D. Roosevelt descreveu a data como “um dia que viverá na infâmia”.

A guerra terminou em agosto de 1945, após os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, que resultaram na morte de centenas de milhares de civis japoneses.

Reações divididas

A declaração de Trump gerou reações opostas. Entre seus apoiadores, houve quem elogiasse o tom improvisado. Seu filho, Eric Trump, comentou nas redes sociais que foi “uma das grandes respostas da história a um repórter”.

Já críticos consideraram a fala inadequada. O jornalista Mehdi Hasan ironizou: “Isso é realmente engraçado — seria ainda mais se ele não fosse o presidente. Poderíamos rir sem qualquer desconforto ou constrangimento.”

Histórico de declarações controversas

Não é a primeira vez que Trump causa desconforto ao comentar episódios da Segunda Guerra Mundial. No ano anterior, ao conversar com o chanceler alemão Friedrich Merz sobre o Dia D, ele afirmou que se tratava de “um dia não muito agradável” para a Alemanha.

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