Trump diz que vai perdoar ex-presidente de Honduras, que inundou os EUA com cocaína

Atualizado em 30 de novembro de 2025 às 8:26
Hernández com policiais durante seu julgamento nos EUA

Donald Trump declarou que pretende conceder perdão ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado por tráfico de drogas e crimes com armas de fogo nos Estados Unidos. O presidente afirmou nas redes sociais que Hernández foi “tratado de forma muito dura e injusta”.

Hernández foi condenado a 45 anos de prisão após ter sido considerado culpado, em março de 2024, de conspirar para importar cocaína para os EUA e por posse de metralhadoras.

Durante sua carreira, ele chegou a dizer que “enfiaria as drogas no nariz dos gringos”. Provas apresentadas no julgamento mostraram que ele aceitou um suborno de 1 milhão de dólares de Joaquín “El Chapo” Guzmán para permitir a passagem de carregamentos de cocaína por Honduras. Testemunhas também relataram que um homem foi morto na prisão para protegê-lo.

No tribunal federal de Nova York, depoimentos e documentos apontaram que Hernández transformou Honduras em um ponto estratégico do tráfico internacional. Segundo a acusação, ele comandou uma conspiração que movimentou milhões de dólares para cartéis, enquanto o país se mantinha entre os mais pobres, violentos e corruptos da América Central. Ele também foi condenado ao pagamento de multa de 8 milhões de dólares.

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Trump avisa em suas redes que perdoará Hernández por ter sido tratado “injustamente”

Trump usou a mesma declaração para apoiar o candidato conservador Nasry “Tito” Asfura nas eleições gerais de Honduras, marcadas para domingo. Hernández, do Partido Nacional, governou de 2014 a 2022 e foi extraditado aos EUA em 2022 para responder às acusações. Procuradores afirmaram no julgamento que ele administrou o país como um “narco-Estado” e recebeu milhões em subornos para proteger traficantes.

Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa, disputa uma eleição considerada aberta, segundo pesquisas. Ele enfrenta Rixi Moncada, ex-ministra da Defesa e candidata do partido governista Libre, e Salvador Nasralla, apresentador de TV do Partido Liberal. Trump chamou Nasralla de “quase comunista”, dizendo que sua candidatura só existe para dividir votos da oposição. Ao elogiar Asfura, escreveu que ele está “defendendo a democracia” e destacou a postura crítica dele contra Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

No sábado, Moncada acusou Trump de interferir no processo eleitoral de Honduras após o anúncio do endosso a Asfura e a promessa de perdão a Hernández.

Desde 2022, Honduras é governada por Xiomara Castro, que estreitou relações com Cuba e Venezuela, mas manteve cooperação com os EUA, incluindo o tratado de extradição e a presença de uma base militar americana usada no combate ao crime organizado.

A atual ofensiva dos EUA na região, a “Operação Southern Spear”, já resultou na morte de mais de 80 pessoas em ataques a embarcações suspeitas desde agosto. O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o objetivo é eliminar “narcoterroristas”, enquanto especialistas questionam a legalidade das ações, alegando falta de provas de que as embarcações atingidas transportavam drogas.