Trump exige enquadrar PCC e CV como terroristas e pressiona Brasil a receber presos dos EUA

Atualizado em 13 de março de 2026 às 12:09
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Annabelle Gordon/Reuters

Em meio à tentativa de “visita” a Jair Bolsonaro de Darren Beattie, “conselheiro sênior” dos EUA amigo de Eduardo, o governo de Donald Trump quer que o Brasil aceite classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e ainda receba em presídios brasileiros estrangeiros capturados nos Estados Unidos, informa a Folha de S.Paulo. As exigências fazem parte de uma proposta de cooperação em segurança que está sendo negociada entre Washington e Brasília e que, segundo autoridades americanas, pode ser anunciada em um encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, previsto para ocorrer nas próximas semanas.

A proposta inclui que o Brasil adote modelo semelhante ao de El Salvador, que mantém presos estrangeiros na penitenciária de segurança máxima Cecot. Além disso, os EUA pedem que o governo brasileiro apresente um plano para combater PCC, CV, Hezbollah e organizações criminosas chinesas em território nacional, dentro de um acordo mais amplo de combate ao crime transnacional.

Outro ponto da contraproposta americana prevê que o Brasil compartilhe com autoridades dos EUA dados sobre estrangeiros que pedem refúgio no país, incluindo informações biométricas. Segundo Washington, a medida serviria para impedir rotas migratórias ilegais e combater redes criminosas que utilizam portos e fronteiras brasileiras.

As exigências foram feitas em resposta a um plano apresentado pelo governo Lula, que propôs cooperação para combater lavagem de dinheiro, bloquear ativos ilegais nos Estados Unidos, ampliar o controle sobre tráfico de armas e reforçar o intercâmbio de informações financeiras, inclusive sobre operações com criptomoedas.

O governo brasileiro resiste principalmente à classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas. A avaliação em Brasília é que essa medida pode abrir espaço para ações diretas dos EUA em território nacional e afetar a soberania do país. O tema também preocupa o governo por causa do impacto político interno, especialmente em ano eleitoral.

Paulo Figueiredo, Darren Beattie e Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução

O chanceler Mauro Vieira conversou com o secretário de Estado Marco Rubio após o Brasil saber que Washington já finalizou a documentação para designar as facções brasileiras como organizações terroristas, medida que ainda precisa passar pelo Congresso americano antes de ser oficializada.

Caso a classificação seja confirmada, os EUA poderão congelar ativos, impor sanções financeiras, restringir imigração e ampliar operações contra integrantes dos grupos. O governo Lula argumenta que PCC e CV são organizações criminosas sem motivação ideológica e que o enquadramento como terrorismo não se aplica, além de representar risco de interferência externa em assuntos internos do Brasil.

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