
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que agentes federais se afastem de protestos realizados em cidades administradas por governos democratas. A diretriz estabelece que a atuação dessas forças só ocorrerá mediante pedido formal das autoridades locais ou em situações que envolvam ameaça direta a propriedades federais.
O anúncio foi feito pelo próprio Trump em uma publicação nas redes sociais. Segundo ele, a orientação foi repassada à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. “Instrui que não participem dessas ações a menos e até que elas nos peçam ajuda”, escreveu o presidente, ressaltando que a única exceção será a proteção de prédios federais “de forma muito firme”.
A medida afeta diretamente a atuação de órgãos federais como o ICE e a Patrulha de Fronteira. De acordo com a orientação divulgada, essas agências devem permanecer fora de operações em protestos urbanos, salvo quando houver solicitação explícita de apoio por parte de governos estaduais ou municipais, ou risco ao patrimônio federal.
Trump afirmou que autorizou uma resposta “muito contundente” exclusivamente para garantir a integridade de instalações federais. Fora dessas situações, segundo ele, cabe às autoridades locais lidar com manifestações e distúrbios em suas jurisdições, sem intervenção direta do governo central.
A decisão ocorre após semanas de protestos em Minnesota, desencadeados depois do envio expressivo de agentes federais ao estado. As manifestações se intensificaram em meio à repercussão de mortes ocorridas durante ações envolvendo forças federais na região de Minneapolis.
Uma das ocorrências mais citadas é a morte de Renee Nicole Good, 37. Ela foi baleada em 7 de janeiro, durante uma operação de imigração em Minneapolis.
O Departamento de Segurança Interna declarou que agentes teriam sido atropelados por manifestantes e que um agente do ICE atirou “em legítima defesa”, versão divulgada pela CNN Internacional. A família, no entanto, afirma que ela era apenas uma “observadora”, enquanto uma autópsia independente apontou que o disparo fatal atingiu a cabeça.
Outro caso envolve Alex Pretti, 37, enfermeiro que morreu após abordagens de agentes federais. Ele foi derrubado durante uma ação em Minneapolis e faleceu 11 dias depois, em 24 de janeiro, em um novo episódio envolvendo autoridades. Desde então, ativistas contrários à política migratória do governo têm monitorado operações federais na cidade e em áreas próximas.
No comunicado, Trump também elevou o tom contra os manifestantes. Ele afirmou que não serão tolerados atos como “cuspidas”, “socos”, “chutes” ou “arremesso de pedras” contra agentes ou veículos oficiais, prometendo “consequência igual ou ainda maior” em caso de ataques. Os participantes dos protestos foram classificados por ele como “lunáticos, agitadores e insurrecionistas altamente pagos”.
O presidente ainda cobrou uma postura mais ativa de estados e municípios. Segundo Trump, cabe às administrações locais proteger tanto suas próprias estruturas quanto os bens federais, cabendo ao governo federal atuar apenas quando solicitado. “Avisem-nos quando estiverem prontos? Vocês precisam usar a palavra ‘POR FAVOR’”, escreveu.