
Michelle Goldberg, colunista do New York Times, analisou a recente ação do governo Trump na Venezuela e a descreveu como uma operação de extorsão, em vez de uma “mudança de regime”.
Embora o presidente Nicolás Maduro tenha sido removido do poder por um sequestro, a estrutura política do país permanece inalterada, com figuras-chave como Delcy Rodríguez assumindo a liderança, enquanto outros membros importantes, como o Ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o Ministro do Interior, Diosdado Cabello, mantêm seus postos.
Segundo Goldberg, a preservação do status quo é coerente com o objetivo de Trump de extorquir, em vez de transformar politicamente, o país.
O governo Trump é caracterizado por uma política imperialista de gangsterismo, em que o objetivo é obter o controle sobre os recursos do país, especialmente o petróleo, além de reduzir a imigração e aumentar as deportações de venezuelanos. Ao contrário das abordagens imperialistas de líderes como George W. Bush, que buscavam mudar regimes, Trump prefere manipular o sistema existente para obter vantagens diretas para os EUA.
Goldberg também destaca a mensagem clara de Trump ao afirmar que, com Maduro fora, os EUA irão “controlar o país”. No entanto, embora tenha removido Maduro, a administração americana não parece ter um plano concreto para governar diretamente a Venezuela.
Em vez disso, Trump aposta na subordinação do novo regime de Rodríguez, que deve seguir suas ordens ou enfrentar consequências severas. Ao seguir essa estratégia, Trump reforça sua abordagem de poder baseada em ameaças e manipulações, ao invés de seguir normas diplomáticas tradicionais.
Goldberg alerta para o impacto dessa abordagem nas relações internacionais. Para ela, a política de Trump está levando os EUA a abandonar qualquer restrição moral ou legal em sua atuação no exterior, adotando uma postura completamente predatória.
Se esse modelo for bem-sucedido, pode representar um novo paradigma de relações internacionais, em que a força e a coação são preferidas em vez do diálogo e da negociação, o que representa uma ameaça para o equilíbrio global e para as normas de soberania e autodeterminação.