
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na Truth Social uma imagem que retrata a Groenlândia como uma base aérea militar americana, com uma grande bandeira dos EUA sobre o território. A publicação, feita no sábado (31), não traz legenda e exibe apenas a frase “Welcome to Greenland” (“Bem-vindos à Groenlândia”).
A postagem ocorre enquanto Trump mantém a Groenlândia entre suas prioridades estratégicas. A ilha é um território autônomo do Reino da Dinamarca, com parlamento, primeiro-ministro, governo local, língua oficial e bandeira próprios.
A Dinamarca responde pela defesa militar e pela política externa do território, além de enviar subsídios anuais para a economia local. Cerca de 57 mil pessoas vivem na ilha, situada no extremo nordeste da América do Norte.
Com 2.166.086 quilômetros quadrados, a Groenlândia é a maior ilha do mundo. Cerca de 80% de sua área é coberta por gelo, mas o território reúne reservas de terras raras e metais considerados essenciais, além de ocupar posição estratégica no Ártico.

Acordo prevê ampliação da presença militar americana
Em 22 de setembro, Trump assinou na sede da ONU o Acordo de Segurança do Ártico. O texto reafirma formalmente a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação da população groenlandesa, mas amplia a presença e a influência militar dos EUA na ilha.
O acordo autoriza os Estados Unidos a reativar e construir duas instalações militares estratégicas e prevê a modernização e a ampliação da base espacial de Pituffik. Aeronaves e embarcações americanas também ganham direitos de sobrevoo, pouso e operação submersa no território e em suas águas.
O documento proíbe bases militares permanentes de países fora da OTAN e restringe investidores que não pertençam à aliança ou à União Europeia em setores sensíveis, como portos e aeroportos. Mesmo em caso de independência futura, a Groenlândia teria de permanecer na OTAN e manter obrigações de defesa com os EUA.
No primeiro mandato, Trump defendeu comprar a Groenlândia e descreveu a possibilidade como “um grande negócio imobiliário”. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou a proposta como “absurda” e afirmou que a ilha não estava à venda. O Acordo de Segurança do Ártico ainda precisa de ratificação dos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para entrar integralmente em vigor.