Trump já promoveu 7 intervenções militares, contrariando promessa contra “guerras inúteis”

Atualizado em 2 de março de 2026 às 17:58
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. FotO: Alex Wong/Getty Images

Desde que Donald Trump retornou à presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, sua administração tem realizado diversas intervenções militares no exterior, contradizendo o que vem prometendo desde a campanha de 2016 sobre evitar “guerras inúteis”. A mais recente intervenção foi um ataque conjunto com Israel ao Irã, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e outros membros da cúpula do governo local.

Trump justificou a ação como uma medida necessária para “defender o povo americano” e eliminar ameaças do regime iraniano, especialmente relacionadas ao programa nuclear de Teerã. O republicano também se envolveu em várias outras intervenções, como na Venezuela, onde em janeiro de 2025 os EUA sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por acusações de tráfico de drogas.

A ação, que resultou em cerca de 80 mortes, visava enfraquecer o governo local, mas teve como consequência a abertura do setor petrolífero da Venezuela para o investimento privado. A cúpula de Maduro se manteve intacta, apesar das mudanças no país.

A Síria também foi um alvo importante das operações de Trump, com cerca de 80 ataques realizados em 2025, em resposta a ameaças terroristas. As operações intensificaram-se após um ataque em Palmira que matou dois soldados americanos.

Em conjunto com a Jordânia e a Síria, os EUA expandiram suas ações contra o Estado Islâmico, atingindo mais de setenta alvos no país. As intervenções, segundo a Casa Branca, visavam enfraquecer grupos terroristas que operam no território sírio e combater a instabilidade que surgiu após a queda de Bashar al-Assad.

Fumaça sobe ao céu após explosões ouvidas em Manama, Bahrein, neste sábado (28). Foto: Reuters

Além da Síria, Trump também expandiu operações na Somália, onde as forças americanas realizaram 126 operações em 2025, resultando na morte de quase 200 membros de grupos armados. O foco principal foi o al-Shabaab, um grupo terrorista ligado à al-Qaeda.

A Nigéria também foi alvo da administração Trump. Em dezembro de 2025, os EUA realizaram um bombardeio no país alegando existir um “massacre de cristãos”.

No Iraque, Trump continuou com operações antiterroristas iniciadas durante a presidência de Barack Obama, incluindo um ataque aéreo que matou um importante líder do Estado Islâmico. Em todos esses casos, Trump seguiu justificando as intervenções como necessárias para combater o terrorismo e proteger os interesses americanos.

Outro teatro de operações foi o Iémen, onde os EUA realizaram ataques contra os rebeldes houthis, aliados do Irã, que atacaram cidades israelenses e navios no mar Vermelho. Em parceria com o Reino Unido, Washington buscava restabelecer o fluxo livre na região e proteger instalações militares. A ofensiva no local foi considerada cara, custando mais de US$ 1 bilhão, mas foi encerrada abruptamente em maio de 2025.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.