Trump diz a Lula que pode procurá-lo “a qualquer momento” e reabre diálogo com o Brasil

Atualizado em 21 de agosto de 2026 às 21:15
Donald Trump, presidente dos EUA e Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimentando-se em encontro em Washington. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o brasileiro pode procurá-lo “a qualquer momento”. Os dois conversaram por telefone durante cerca de 1h20 nesta sexta-feira (21), no contato mais longo entre eles desde o início do atual ciclo de negociações. Com informações da Exame.

O governo brasileiro tomou a iniciativa da ligação para tentar reabrir o diálogo direto após meses de tensão provocada pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A escalada também incluiu a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.

Comércio bilateral, combate ao crime organizado e conflitos internacionais estiveram entre os temas da conversa. Ao final, Trump indicou que seus principais assessores retomariam as discussões com representantes brasileiros, mas não anunciou mudanças imediatas nas medidas comerciais.

Os presidentes não discutiram um encontro durante a Assembleia-Geral da ONU, embora aliados de Lula não descartem essa possibilidade. A ida a Nova York deve ser a única viagem internacional do petista durante o período eleitoral.

Tarifas e eleição brasileira entraram na conversa

Lula afirmou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos criaram dificuldades para a relação bilateral e defendeu a retomada das negociações. O governo brasileiro pretende buscar a redução gradual das restrições, inclusive das cobranças mais elevadas que atingem setores como aço e alumínio.

Trump também perguntou sobre o processo eleitoral brasileiro. Lula respondeu que o sistema eleitoral do país funciona e é confiável. Integrantes do governo afirmaram que o presidente americano não questionou as urnas, não comentou o possível resultado da eleição nem tratou do reconhecimento do vencedor.

Crime organizado e conflitos internacionais

O governo brasileiro apresentou ações de combate ao crime organizado e citou a cooperação histórica com os Estados Unidos nessa área. Trump abordou o enfrentamento ao tráfico de fentanil, enquanto Lula não mencionou a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações criminosas.

A guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio também entraram na pauta. A ligação ocorreu em tom cordial e sem confrontos, mas não abordou a revogação do visto de Maria Luiza Viotti, e o governo brasileiro não confirmou se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou da conversa.

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