
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ser o “líder legítimo do Brasil”, apesar de ter permitido a entrada dele e de sua família no país. Duas pessoas a par do assunto afirmaram, sob anonimato à CNN, que Trump não tem planos atuais de endossar as ambições políticas do parlamentar.
Trump declarou que a eleição brasileira de domingo pareceu “manipulada”, mas disse que não ofereceu apoio a Flávio na disputa. O presidente americano também afirmou que mantém boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito com cerca de 3,5 pontos percentuais de vantagem. “Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, disse Trump a jornalistas. “Só acho que a eleição deixou uma péssima impressão.”
Em carta aberta publicada no X na quarta-feira (28), Flávio se autoproclamou “o presidente eleito”. O senador apagou a primeira versão e publicou um novo texto, no qual passou a se apresentar como “líder” legítimo do Brasil.
A autorização para a entrada nos Estados Unidos não representa, por ora, adesão da Casa Branca à tese de Flávio. A avaliação entre autoridades americanas é que Trump pode mudar de posição, mas evita uma nova crise diplomática com o Brasil após meses de relações instáveis entre os dois governos.

Entrada nos EUA ocorreu após saída do Brasil
Flávio deixou o país depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega de seu passaporte a pedido da Polícia Federal. A corporação investiga o senador por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusação que aliados associaram ao resultado eleitoral por causa da proximidade entre os fatos.
Autoridades argentinas informaram que o senador, a mulher e as duas filhas cruzaram uma ponte em direção ao norte da Argentina às 22h50 de terça-feira. A família embarcou em um avião fretado às 23h30 e seguiu para Miami, com escala no Equador. Ainda não há esclarecimento público sobre como Flávio percorreu o trajeto desde Brasília, a cerca de 1.300 quilômetros da fronteira, sem ser localizado pelas autoridades brasileiras.
Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina. Durante o deslocamento, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, recomendou a Trump que autorizasse a entrada do senador, e o presidente aprovou a medida.
Autoridades americanas concederam à família uma “parole humanitária”, autorização temporária aplicada em situações de urgência humanitária ou interesse público relevante. A saída de Flávio recebeu críticas de conservadores que esperavam que ele conduzisse a oposição, enquanto autoridades brasileiras avaliam que sua ausência pode enfraquecer a bancada conservadora no Congresso.