Eleitores de redutos operários dos EUA relatam decepção com Trump

Atualizado em 1 de novembro de 2026 às 8:09
Donald Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Foto: Elizabeth Frantz/Reuters

O custo de vida e a falta de empregos ampliaram a insatisfação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em antigas regiões industriais da Pensilvânia e de Ohio que foram decisivas para suas vitórias eleitorais. Em Beaver Falls, no sudoeste da Pensilvânia, o líder sindical Tony Hall afirma que apoiadores do republicano passaram a rever o voto diante da piora econômica. Com informações do Estadão.

Pesquisas citadas pelo Estadão apontam aprovação de 32% para Trump. A alta da inflação e dos preços do diesel e da gasolina, associada à guerra no Irã, pesa sobre moradores de localidades que já enfrentavam o esvaziamento industrial do chamado Cinturão da Ferrugem.

Hall trabalha em uma fábrica de plástico que emprega cerca de 45 pessoas e diz que quase todos os colegas eram trumpistas. “No meu trabalho todos eram trumpistas, mas agora só sobrou um. Trump está afetando literalmente todo mundo. Tudo que estou pagando agora está mais caro do que nunca e é revoltante”, afirmou.

Beaver Falls, com aproximadamente 9 mil habitantes, perdeu fábricas e usinas ao longo das décadas. Filho de um operário da siderurgia, Hall relata que o fechamento de uma unidade deixou mais de 5 mil trabalhadores sem emprego e atingiu sua família. “Beaver Falls está morta. A população decaiu, a infraestrutura é horrível e simplesmente não tem trabalho para ninguém nem nada para fazer”, disse.

Líder sindical Tony Hall em seu local de trabalho em Beaver Falls, na Pensilvânia
O líder sindical Tony Hall. Foto: Daniel Gateno/Estadão

Braddock reúne desemprego, abandono e falta de serviços básicos

A crise industrial também marca Braddock, município próximo a Pittsburgh que tinha 20 mil habitantes na década de 1920 e hoje reúne cerca de 2 mil pessoas. A usina Edgar Thomson Works, a única da cidade, chegou a ter quase 8 mil empregados nos anos 1940 e agora mantém 650 funcionários.

O desempregado Eric Shae, de 33 anos, descreveu o esvaziamento do município. “Não tem ninguém aqui, todo mundo foi embora”, afirmou. Em Braddock, voluntários do projeto Free Store 15104 distribuem gratuitamente alimentos, roupas e livros; a cidade não conta com supermercado próprio nem hospital.

A criadora da iniciativa, a brasileira-americana Gisele Barreto Fetterman, esposa do senador democrata John Fetterman, afirma que a população enfrenta problemas que ultrapassam a disputa partidária. “Braddock é fantástica por conta das pessoas que vivem aqui, mas a cidade está abandonada e não tem investimento do governo”, declarou.

O cenário ocorre antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, quando toda a Câmara dos Representantes e 35 cadeiras do Senado estarão em disputa. Embora os democratas apareçam como favoritos para retomar a Câmara, trabalhadores ouvidos na Pensilvânia relatam descrença nos dois partidos. Para Silas Russell, dirigente sindical da área de saúde, a classe trabalhadora exige que qualquer partido enfrente a concentração de riqueza entre corporações e bilionários.

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