O risco de Trump contestar vitória de Lula, segundo analista

Atualizado em 26 de outubro de 2026 às 9:37
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em imagens separadas. Foto: Reprodução

O analista internacional Lourival Sant’Anna, da CNN Brasil, avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode questionar ou deixar de reconhecer uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. A hipótese ganhou força, segundo o texto, após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender em duas horas o funcionamento das urnas no domingo (26).

A prorrogação ocorreu a pedido da campanha de Lula e por ordem de Zanin, que atuou como advogado do presidente antes de integrar o STF. A análise sustenta que o vínculo anterior entre os dois pode alimentar acusações da direita brasileira e de aliados de Trump contra o resultado eleitoral, caso Lula vença a disputa.

Trump não declarou apoio explícito ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como nome da direita na eleição, porque uma manifestação do presidente estadunidense poderia beneficiar Lula, conforme a avaliação. O texto afirma que Trump aguardava uma vitória conservadora no Brasil para reivindicar influência política na América Latina.

O advogado estadunidense Martin De Luca, que representa o Trump Media & Technology Group e a plataforma Rumble em processos no STF, publicou no X que a decisão sobre o horário de votação poderia levar a comunidade internacional a não reconhecer uma vitória de Lula. Donald Trump Jr. compartilhou a postagem e escreveu: “Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na grande imprensa dos Estados Unidos perderia a cabeça”.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

Direita pode usar acusação de fraude para ampliar tensão com os Estados Unidos

A análise prevê que a direita brasileira, majoritária no Congresso, poderá ampliar a narrativa de fraude eleitoral e associá-la a críticas à política do governo Lula para o combate ao crime organizado. Entre os temas citados está a resistência brasileira a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O texto avalia que Trump pode recorrer ao argumento de ameaça à segurança nacional para pressionar o Brasil e outros países latino-americanos. Esse expediente tem sido usado pelo republicano para justificar decisões sobre tarifas, imigração e operações militares sem consulta prévia ao Congresso dos Estados Unidos.

Uma eventual derrota republicana nas eleições para a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, também poderia elevar o confronto político, segundo a análise. Com maioria nas comissões, os democratas poderiam abrir investigações sobre suspeitas de corrupção e abuso de poder no governo Trump.

Nesse cenário, o texto aponta que Trump poderia reagir intensificando ações e declarações com base na segurança nacional, inclusive na América Latina. A extensão desse tensionamento dependeria da pressão democrata sobre a Casa Branca e das reações do governo Lula às medidas dos EUA.

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