Trump, preços abusivos e vistos negados: os problemas da Copa do Mundo nos EUA

Atualizado em 10 de junho de 2026 às 14:30
Donald Trump e Gianni Infantino durante. sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026. Foto: Imago

A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, o torneio já acumula problemas políticos, de imigração,  de preços de ingressos e impactos ambientais. A proximidade entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido um dos principais alvos de reclamações.

Em diversos eventos públicos, Infantino apareceu ao lado de Trump, apesar de a entidade defender oficialmente neutralidade política. As regras migratórias para seleções e estrangeiros dos Estados Unidos também geraram revolta.

Torcedores de países como Haiti e Irã enfrentaram restrições para entrar no país, enquanto cidadãos de outras nações relataram dificuldades para obter vistos. Organizações de direitos humanos afirmam que o endurecimento das políticas migratórias criou insegurança entre visitantes e parte dos torcedores decidiu não viajar para acompanhar suas seleções.

Outro foco de reclamações está nos preços dos ingressos: a Fifa adotou pela primeira vez um sistema de preços dinâmicos, que altera os valores de acordo com a demanda. Em alguns casos, entradas para a final chegaram a custar milhares de dólares, enquanto um assento de categoria premium foi anunciado por até US$ 690 mil.

Metlife Stadium, palco da final da Copa do Mundo de 2026. Foto: Divulgação

A expansão da Copa de 32 para 48 seleções também divide opiniões. O novo formato aumentou o número de partidas de 64 para 104 e ampliou o total de equipes classificadas para a fase eliminatória. Críticos argumentam que a mudança pode reduzir o nível técnico da competição e aumentar o desgaste físico dos atletas.

A questão ambiental é outro problema: estudos estimam que o Mundial poderá gerar mais de nove milhões de toneladas de CO₂, principalmente devido às longas distâncias entre as cidades-sede nos Estados Unidos, México e Canadá.

Os custos de deslocamento também provocaram reclamações, com torcedores em algumas cidades denunciando tarifas abusivas para transporte público e estacionamento nos arredores dos estádios. Após protestos, organizadores reduziram parte dos valores inicialmente anunciados.

Seleção do Irã em amistoso contra Senegal. Foto: Robbie Jay Barratt. Foto: AMA/Getty Images

A situação da seleção do Irã se transformou em um dos episódios mais sensíveis do torneio. A demora na emissão de vistos para integrantes da delegação levou a equipe a transferir sua base de treinamento para o México.

Segundo a federação iraniana, 14 membros da comissão técnica tiveram a entrada negada pelos Estados Unidos, o que gerou protestos e acusações de tratamento desigual.

Com a bola prestes a rolar, a Copa de 2026 chega cercada por discussões que vão muito além do futebol. Questões políticas, comerciais, ambientais e diplomáticas passaram a ocupar espaço relevante no noticiário, tornando esta uma das edições mais debatidas da história do torneio.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.