Trump promete tarifaço de 50% a países que venderem armas ao Irã

Atualizado em 8 de abril de 2026 às 10:59
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) uma nova ameaça econômica após recuar de novos ataque no Irã: os EUA vão impor tarifa de 50% a qualquer país que fornecer armas ao país persa. A medida, segundo o presidente estadunidense, valerá para “todos os produtos” vendidos ao mercado dos Estados Unidos por essas nações, sem exceções nem isenções.

O anúncio foi feito horas depois de o próprio Trump celebrar o cessar-fogo de duas semanas firmado com Teerã e classificar o momento como um “grande dia para a paz mundial”.

Em publicação na Truth Social, Trump detalhou a punição comercial que pretende aplicar aos países que mantiverem cooperação militar com o regime iraniano. “Um país que fornecer armas militares ao Irã será imediatamente taxado em 50% sobre todos os produtos vendidos aos Estados Unidos da América, com efeito imediato. Não haverá exclusões ou isenções”, escreveu.

Segundo a Associação de Controle de Armas, a Rússia está entre os principais fornecedores de suprimentos militares ao Irã. Coreia do Norte e China também aparecem entre os países apontados como apoiadores da capacidade militar iraniana.

Publicação de Trump no Truth Social. Foto: reprodução

Já o Observatório da Complexidade Econômica indica a Turquia como um dos maiores exportadores de armas ao país desde 2024. A fala de Trump, portanto, atinge diretamente governos com peso geopolítico e comercial relevante nas relações globais.

O anúncio ocorre, porém, em um cenário ainda longe de qualquer estabilidade. Apesar da trégua anunciada, o Irã informou ter sido alvo de ataques na manhã desta quarta-feira. De acordo com a Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo, instalações da refinaria da ilha de Lavan foram atingidas às 10h no horário local, o equivalente a 3h30 em Brasília. Não houve registro de feridos, mas vídeos divulgados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça no local do suposto bombardeio.

O Kuwait também relatou novos episódios de violência. Segundo o Ministério da Defesa do país, 28 drones iranianos foram interceptados desde a manhã desta quarta-feira. “Um grande número desses drones hostis” foi abatido, afirmou o porta-voz da pasta. Ainda segundo o governo kuwaitiano, parte dos equipamentos conseguiu furar o esquema de segurança e atingir infraestruturas civis no sul do país. A Defesa informou que houve “dano material significativo” em usinas de energia e de dessalinização de água.

No Líbano, os ataques israelenses também continuam. Benjamin Netanyahu confirmou que vai interromper as ações contra o Irã, mas deixou claro que a ofensiva no território libanês seguirá.

O cessar-fogo anunciado por Trump na véspera foi costurado após pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador. O Irã aceitou a proposta, mas condicionou a trégua à interrupção dos ataques contra seu território e defendeu regras para a passagem de embarcações pelo Estreito de Hormuz, ponto central da disputa.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.