
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu pagar US$ 5 mil a cada cidadão adulto caso os republicanos mantenham o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato desta terça (3). A proposta entrou na reta final da disputa em meio à queda de sua popularidade e a pesquisas que apontavam risco de derrota para o partido.
Trump anunciou o pagamento em uma convenção republicana e disse que os beneficiários precisariam gastar o dinheiro dentro dos Estados Unidos. Ele não explicou de onde sairiam os recursos.
“Se os republicanos vencerem a Câmara dos Representantes e o Senado, por causa da nossa enorme força e sucesso econômico, eu darei 5 mil dólares para cada cidadão adulto dos Estados Unidos”, afirmou.
O presidente também pediu que os eleitores encarem a votação legislativa como uma avaliação direta de seu governo. No mesmo discurso, afirmou que os americanos deveriam “fingir” que seu nome está na cédula, embora a eleição escolha deputados e senadores.
Além da promessa financeira, o governo colocou no ar desde setembro comerciais de televisão que destacavam ações da gestão e exibiam imagens de Trump. As peças circularam em programas populares e transmissões esportivas com a indicação de que tinham financiamento do governo dos Estados Unidos.

Comerciais pagos pelo governo provocaram críticas
Os vídeos combinaram mensagens sobre medidas do governo com ataques à “classe política” e a “belicistas”. Trump dizia nas peças que expulsaria “belicistas” e a “classe política doente” da administração pública e impediria que os Estados Unidos se transformassem em um Estado comunista.
Adversários e organizações civis criticaram o uso de dinheiro público nos anúncios, que classificaram como propaganda eleitoral em benefício do Partido Republicano. A ONG Public Citizen afirmou que a legislação dos Estados Unidos proíbe o uso de recursos públicos para autopromoção e publicidade política em favor de um partido.
A controvérsia aumentou após a divulgação de que o Departamento de Segurança Interna teria pago US$ 20 milhões a uma agência por uma campanha nacional. Após a reação, Trump afirmou na Truth Social que os anúncios deixariam de usar verba pública e passariam a ser financiados por doações de apoiadores.
Nesta terça (3), os eleitores renovam os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Os republicanos chegam à votação com 53 senadores e 219 deputados, números que lhes dão vantagem na defesa do controle do Congresso.
Pesquisa Ipsos/Reuters divulgada em 5 de outubro apontou disputa apertada entre eleitores com mais de 50 anos e vantagem ampla dos democratas entre os mais jovens. Parte dos candidatos republicanos de estados competitivos também evitou se associar publicamente a Trump; as ausências incluíram os senadores Susan Collins e Dan Sullivan em uma convenção organizada pelo presidente em setembro.