Trump propõe novo tratado nuclear com a Rússia; entenda

Atualizado em 5 de fevereiro de 2026 às 21:32
Detonação nuclear no atol de Mururoa, na Polinésia Francesa, na década de 70
Detonação nuclear no atol de Mururoa, na Polinésia Francesa, na década de 70 – Arquivo/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a negociação de um novo tratado nuclear “modernizado” com a Rússia após a expiração do Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo Start), encerrado à meia-noite de quarta-feira (5), equivalente a 21h de terça-feira (4) no horário de Brasília. Com o fim do acordo, deixam de valer limites formais que regulavam os arsenais nucleares das duas maiores potências atômicas do mundo. Com informações do jornal O Globo.

Assinado em 2010 durante os governos de Barack Obama e do então presidente russo Dmitri Medvedev, o Novo Start estabelecia que Estados Unidos e Rússia poderiam manter até 1.550 ogivas nucleares operacionais cada um. O tratado também impunha limites a lançadores estratégicos, mísseis balísticos intercontinentais, mísseis lançados de submarinos e bombardeiros nucleares.

Além das restrições quantitativas, o acordo previa mecanismos de verificação e transparência. Entre eles estavam inspeções de curto prazo em bases nucleares, troca regular de informações sobre os arsenais e a criação de uma Comissão Consultiva Bilateral, responsável por acompanhar a implementação do tratado e se reunir pelo menos duas vezes ao ano.

Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que não apoiaria a simples prorrogação do Novo Start. Segundo ele, o acordo teria sido mal negociado e violado, e o caminho adequado seria a elaboração de um novo tratado, com regras atualizadas e validade de longo prazo. O presidente americano não respondeu formalmente à proposta apresentada por Vladimir Putin para estender o acordo por mais um ano.

Autoridades russas confirmaram o encerramento do vínculo com o tratado. Ainda assim, o Kremlin declarou que adotará uma postura prudente. O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou considera o fim do Novo Start negativo, mas indicou que o país permanece aberto a negociações voltadas à estabilidade estratégica.

Antes do término do acordo, a Rússia havia alertado que o mundo entrava em um período de maior risco com o fim do último tratado nuclear vigente entre Moscou e Washington. O governo russo também se ofereceu para manter alguns mecanismos do Novo Start, como inspeções e trocas de informações, proposta que não avançou nas negociações com os Estados Unidos.

Durante viagem a Pequim no início da semana, autoridades russas declararam que o país está preparado para o cenário sem limites formais às armas nucleares. Representantes do governo afirmaram que a ausência de uma resposta americana às propostas russas foi interpretada como uma posição política clara de Washington.

A expiração do Novo Start provocou reações no cenário internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como grave para a paz e a segurança internacional e pediu que Estados Unidos e Rússia retornem à mesa de negociações para estabelecer um novo marco de controle de armas.

A China, por sua vez, declarou que não pretende participar de negociações nucleares neste estágio. O governo chinês argumenta que seu arsenal é significativamente menor do que o de Estados Unidos e Rússia, que juntos concentram mais de 80% das ogivas nucleares existentes no mundo. Ainda assim, Pequim defendeu a retomada do diálogo estratégico entre as duas potências.

Organizações internacionais e grupos da sociedade civil também se manifestaram. A coalizão ICAN pediu que russos e americanos respeitem voluntariamente os limites do Novo Start enquanto discutem um novo acordo. Sobreviventes dos bombardeios atômicos no Japão expressaram preocupação com o risco de uma nova corrida armamentista, enquanto a Otan fez apelos por moderação e responsabilidade no atual contexto de enfraquecimento dos acordos de controle nuclear.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.