Trump se dissocia de Bolsonaro para vender falsa ideia de que agiu bem contra covid-19. Por Kennedy Alencar

Donald Trump e Jair Bolsonaro. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente no blog do autor

POR KENNEDY ALENCAR

O presidente Donald Trump procura se dissociar do colega Jair Bolsonaro a fim de limpar sua barra e tentar vender a falsa ideia de que agiu bem no combate ao coronavírus. É mentira. Trump agiu mal, mas Bolsonaro conseguiu a façanha de ser pior do que o americano.

Trump também subestimou o vírus, defendeu a cloroquina como a salvação da lavoura e forçou a barra para reabrir a economia mesmo sem que Estados atendessem aos critérios das autoridades sanitárias federais. Mas, nos EUA, houve uma quarentena realmente efetiva, ao contrário do que aconteceu no Brasil _porque Bolsonaro a bombardeou desde o primeiro dia.

É irônico que o Brasil seja citado como mau exemplo por Trump. O genocídio em curso no Brasil é obra de Bolsonaro. Ele agravou a tragédia do coronavírus e não dá sinal nenhum de que vá deixar de atrapalhar. Pelo contrário. Desprezado até por Trump, Bolsonaro continua com seu projeto cruel de oferta de paz dos cemitérios aos pobres.

Cultura de violência policial

O vídeo do assassinato brutal de George Floyd por policiais desencadeou uma onda de protestos pelos EUA. Mas outras filmagens revelaram que, apesar dos protestos, mais abusos foram cometidos pela polícia.

Há dois casos que chamaram muito a atenção: a prisão de um casal no domingo em Atlanta (Geórgia) e a agressão de dois policiais ontem a um homem de 75 anos em Buffalo (Nova York).

Entre outros casos, esses dois vídeos mostraram como a violência policial é sistêmica, ao contrário do que informou a Embaixada do Brasil em Washington ao Ministério das Relações Exteriores em Brasília. Não são casos isolados, mas resultados do racismo estrutural da sociedade americana, parecido com o que existe no Brasil.

As repressões duras aos manifestantes em Washington no domingo e na segunda também evidenciam isso. Os EUA têm uma polícia violenta, que agride e intimida. Os episódios de empatia, com policiais abraçando manifestantes e se solidarizando com os protestos, é que são casos isolados.

Economia reage, mas não muito

Hoje foi divulgada uma boa notícia sobre a economia americana. A taxa de desemprego caiu de 14,7% para 13,3% em maio. É reflexo da reabertura da economia, que começou no fim de abril em algum Estados e ocorreu em todo o país a partir de maio. Trump fez discurso triunfalista, no qual chegou a invocar o nome de George Floyd, sugerindo que, do céu, ele estaria satisfeito com a notícia sobre emprego.

Mas a situação econômica está longe da força pré-pandemia. Um detalhe chamou a atenção hoje: entre os negros, a taxa de desemprego cresceu em maio, o que contribui para o clima de tensão racial no país e serve de combustível para os protestos.

Biden avança na eleição

Nas pesquisas, Trump tem perdido terreno para Biden, inclusive em Estados decisivos, como Arizona, Ohio e Wisconsin. Se a eleição fosse hoje, Trump perderia no Colégio Eleitoral.

A Casa Branca diz que as pesquisas também apontavam derrota dele para Hillary Clinton em 2016. É fato, mas agora Biden lidera por margem confortável nacionalmente _entre 5 e 10 pontos percentuais a depender da pesquisa. O democrata também tem desempenho melhor do que Hillary Clinton nos Estados decisivos.

As manifestações pacíficas enfraquecem o argumento de Trump de que há terroristas entre os manifestantes e fortalecem a possibilidade de maior comparecimento de jovens para votar em Estados decisivos.

Além de criticada por vários generais da reserva, a decisão de Trump de usar militares da ativa para ajudar na repressão a manifestantes tem repercutido mal no país. Enquanto a Casa Branca está cercada parecendo uma fortaleza, Trump é retratado como um presidente inseguro semelhante a ditadores de republicas de bananas que usam os militares para reprimir protestos e ameaçar a democracia.

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